Gases

(Que honra teria o maestro Zubin Mehta reger sua orquestra de Israel, na terra de Carlos Gomes! Que vergonha Campinas ter de ir a Paulínia ver esse espetáculo! O senhor foi lá seo Doutor Hélio?)

Duas marcas de gás estão na nossa memória. Supergás, depois Supergasbrás, deixada pelo talento de um radialista insuperável, nosso Sérgio Batista, grande amigo dos tempos da Rádio Cultura. Nas manhãs de domingo, o anúncio de “Ooonze horaaasss!”, soava mais forte do que os sinos da Catedral chamando para a Missa das Onze. Era a apresentação de “Nos degraus do sucesso”, a superparada musical, desfile dos dez compactos, simples, duplos e longplays mais vendidos da semana. Patrocínio da loja onde o Sérgio era discotecário e guardião da melhor discoteca da cidade. Ele também brilhava nas noites da rádio do seo Abel com o “Bernardin’s Clube” e o “Rádio Baile”.

A outra marca existe até hoje, a histórica Ultragás, com sua loja Ultralar, do seo Dante Lotufo, na Barão de Jaguara com… com… Bernardino de Campos? Na televisão, a Ultragás inovou ao aceitar o desafio de patrocinar o sucessor do extinto Repórter Esso, do Khalil Filho. Escolheu a grande atriz Irene Ravache para nos dar as “Ultranotícias”, na TV Tupi. Khalil foi para a TV Excelsior, mostrar a “Marcha do Mundo”.

Incrível, desde que aquele tempo, muito mudou, evoluiu. Saltamos do fogão a lenha para o fogão elétrico e por fim ao movido a gás. As multinacionais fornecedoras da primeira bomba que entrou em nossas casas impuseram seus bujões de 13 quilos e até hoje ninguém consegue saber por que 13 e não 7 ou 1.

O povo é obrigado a pagar pelo primeiro bujão e depois trocá-lo pelos outros, muita vez enferrujados, velhos, sujos. O gás já chega aos R$ 35,00. Se uma família pobre não tem esse dinheiro, fica sem gás, e impedida de esquentar até uma mamadeira, porque as múltis não abrem mão de seu poder de subjugar o povo. Meia dúzia domina o mercado. Será que elas são tão incompetentes, que ainda não tiveram um funcionário inteligente e capaz de criar bujões menores? O que você faria se o padeiro o obrigasse a comprar quantos pães ele quisesse?

Por que o governo não permite a entrada de outras engarrafadoras estrangeiras que, em seus países, fazem bujões de vários tamanhos? Será que até a presença de concorrentes, úteis e oportunas para o brasileiro, a oitava irmã (bastarda) do petróleo vai impedir? São empresas ou simples negociantes?

Pregado no poste: “Esse negócio está fedendo”

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