Gado canino – ll

Uma fêmea desses cães assassinos que andam por aí, levando os donos para dar voltinhas nos fins-de-semana, dá uma ninhada de 12 filhotes delinqüentes de cada vez. Normalmente, são nove bandidinhas e três bandidinhos. Em três meses, o dono se livra deles, vendendo as delinqüentes infantis por R$ 800,00 e os meliantezinhos, por R$ 700,00. Faturamento bruto com os brutinhos: R$ 9.300,00.

Agora, vamos ao faturamento líquido, deduzidas as despesas com a criação desses marginais. De ração, a mãe-bandida come R$ 180,00, no período de três meses em que amamenta a quadrilha. Somando-se vacina, vermífugos, corte dos rabos (R$ 40,00 cada um); uma visita do veterinário; mais R$ 500,00 pago ao gigolô do macho, digo, dono do macho, e o registro do pedigree (certidão de nascimento, que dá início à vida pregressa do futuro criminoso e que custa R$ 50,00 cada um), total de R$ 2.900,00.

Muito bem. Lucro limpo, líquido e certo para o dono: R$ 6.400,00 – por fêmea. Se ele criar 12 fêmeas e cada uma der só uma cria por ano, o faturamento mensal será de R$ 6.400,00. Trabalhar pra quê?

Enquanto isso, no campo, uma vaca, coitada, leva nove meses para dar um bezerro (só um!), que leva quase três anos para virar boi e servir sua carne como fonte de proteína para a população. Chega ao frigorífico, no máximo, por R$ 700,00. E dele se aproveita tudo: couro, chifre, sangue, ossos, casco, até o berro. Mais: enquanto o filhote cresce, a nossa vaca dá leite para o filho dela e para a família do dono. Um rebanho alimenta uma cidade inteira (Acho que é por isso que a vaca ficou “louca”.).

Já a carne daqueles cachorros, que não pesam mais do que duas arrobas, não serve nem para cachorro quente.

A coitada da vaca passa a vida pastando, ruminando e dando cria. Não avança contra ninguém, confinada atrás da cerca, às vezes elétrica. E eu nunca vi notícia de um bicho desses que tivesse atacado um bandido sequer (Seria defesa da classe? Instinto de preservação da espécie?). Mas, com prazer, ele mata o dono, o filho do dono, a sogra do dono, a empregada da casa, os filhos do vizinho, o carteiro, o entregador de pizza… Nem é condenado. Que tal 30 anos para o cachorro e perpétua para o dono?

Pregado no poste: “Esse comércio canino dá nota fiscal?”

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