Furacão no ar

Todos sabem que empresas aéreas do Brasil e do mundo não vão bem das asas. Está feia a crise. Semana passada, a sorte dos passageiros dependeu de quem viajava com eles.

Aquele caso da Vasp, no feriado de Corpus Christi, deu raiva e medo em muita gente. Faz-me lembrar dos tempos em que ela era estatal e voava naquela pindaíba que fazia dó. Não havia nenhum matusquela querendo entrar nos seus vôos… Em Congonhas, a turma brincava com a moça que anunciava as partidas, deixando bilhetinhos na cabine de som, entre os boletins com os horários dos vôos. Um dizia: “Senhores passageiros da Vasp, com destino a Brasília, Cuiabá e Belém, queiram dirigir-se para embarque e… adeus!” Já pensou se ela lê um negócio desses? Meu Deus!

Na então sisuda, mas excelente, Rádio Eldorado de São Paulo, ninguém conseguia distinguir que locutor estava no ar, tamanha a semelhança de vozes imposta pelo padrão da emissora: Paulo Lima? Pirulão? Inrineu? Barrosão? Fajardo? A rádio não tinha jingles (anúncios musicais), todos os ‘reclames’ eram lidos pelos ‘speakers’ (lembram-se dessa palavra?). Nunca ouvi um locutor da Eldorado rir no ar. Seriedade absoluta. Eis que o texto de um anúncio da Vasp foi modificado para ‘pegar’ o sóbrio Fajardo. Mas ele se safou. Estava escrito: “De hora em hora, parte-se um avião da Vasp”.

No feriado, porém, a situação foi além das brincadeiras. Um avião não decolou para Porto Alegre, por causa de pane, ainda em Congonhas. O comandante disse aos passageiros, segundo saiu nos jornais do Rio: “Não voem Vasp, é perigoso. Não se pode confiar numa empresa que trata mal seus funcionários.” No Airbus que ficou retido em Fortaleza e originou todo o caos, um passageiro disse no “Diário Paulista”, da TV Cultura: “O comandante nos falou que não adianta reclamar, a Vasp está falida…”

Nem a Varig escapou, mas seus passageiros tiveram sorte. Na véspera de embarcar para o “Rock in Rio Lisboa”, a chuva de alegria e entusiasmo Ivete Sangalo esteve aqui em Araçatuba. Ainda brincou com o pessoal do camarote: “Puxa! Então vocês compraram um carro para vir ao meu show!? Muito obrigado! O cachê que a Chevrolet meu deu também foi  bom, viu!?”

Ela partiu no vôo 8707 da Varig para a santa terrinha. O “pareio” decolou cheio de problemas na classe econômica. “O projetor pifou, as poltronas não reclinavam… Quando a turma já maldizia a companhia, eis que saem da classe executiva Ivete Sangalo, com um violão, e Fafá de Belém. Sucesso. Começaram com ‘Poeira’, passearam pelo repertório de Chico Buarque e, graças à dupla, o vôo virou uma grande festa”, contou meu colega Ancelmo Gois. Ninguém comprou carro nem precisou gritar “Axé Vrolet!”.

Pregado no poste: “Político só fala a verdade quando um xinga o outro”

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