Fugindo do inferno

O Fidel Castro vai dizer que a fuga da coitada da jogadora de basquete cubana Lisdeivi Victores Pompa para Americana “é coisa de americano”. Fosse para Nova Odessa, o Pinochet de Havana ficaria satisfeito: “Por supuesto es tierra de nossos hermanos russos foragidos de la Glasnost e de la Perestroika”. Te cuida Bargas Filho! Se você sabe onde ela está, um dia um agente do barbudo pega você para mostrar o lugar do esconderijo. Não fale Campinas, porque ninguém acredita que ela escolheu uma cidade como a nossa para fugir de Cuba. Afinal, lá como cá, Stalin há… E haja “pra güentá”!

A Lisdeivi sabe que se vier a Campinas, dona Izalene e sua turma podem devolvê-la correndinho, só para fazer média com “el comandante”? Contratá-la como servidora até seria uma boa, adorada alcaida! Em Cuba, ela ganhava 55 reais por mês, um pouquinho menos do que os seus funcionários. No ‘Jequitibás’, lady Lisdeivi jamais faria greve para ganhar mais. Mas pode fazer, Lisdeivi. Aqui, ninguém matará você por isso. Ainda.

Nossa heroína disse ao repórter Bargas Filho que está preocupada com as perseguições que sua família pode sofrer por causa de sua fuga para a liberdade. Esquenta, não, Lisdeivi. Você sabe que lá, pior do que é não pode ficar. E não entra nessa de embargo econômico, não. Esse embargo é uma violência, mas a história não é bem essa. Quando a Rússia sustentava Cuba, para fazê-la vitrine do comunismo no nariz da Flórida, também havia embargo. E se vivia pouco melhor, porque os soviéticos eram obrigados a pagar os delírios do Kremilim e do barbudo. Algo como açúcar a cem e petróleo a zero.

Não sei se você sabe, caríssima Lisdeivi, mas o Fidel já riscou você da história do basquete cubano. Entrei ontem no sítio de busca do “Granma” (aquilo, sim, não é jornal) e seu nome não aparece mais. Mas no Brasil, entrando no Google, por exemplo, você está lá. Você e muitas colegas. Quer matar saudade? Vamos lá: Judith Águila Hernández, Zuleira Aties Isaac, Licet Castillo Iglesias, Milaisy Duany Céspedes, Cariola Hechavarría García, Dalia Henry Hernández, María León Molinet, Yamilet Martínez Calderón, Yakelyn Plutín Tizón, Yulizeny Soria Baró e Taimara Suero Coronado. Todas que ainda não puderam fugir. Ou nem conseguiram tentar.

Não importa, Lisdeivi, se você defendeu a sofrida ilha em duas Olimpíadas e dois Jogos Panamericanos. Tão sofrida que se seus patrícios procurarem por você, nem na história Fidel a deixa mais entrar.

Pregado  no poste: “Quem nasce em Cuba é cubano ou prisioneiro?”

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