Fofoca

Antes de contar a fofoca, uma filosofia machista, de autor desconhecido, que acabou de me chegar, ainda agorinha, quando começava esta nossa conversa. O autor é anônimo porque deve ter medo da mulher. As feministas vão “adorar”. O enredo tem muito a ver com fofoca, também. Veja só:

“O homem descobriu o vidro e inventou a garrafa.

A mulher descobriu o vidro e inventou o espelho.

O homem inventou o baralho e, em seguida, o jogo.

A mulher descobriu o baralho e inventou a cartomante.

O homem descobriu a palavra e inventou a conversa.

A mulher descobriu a conversa e inventou a fofoca.

O homem descobriu a roda e inventou o carro.

A mulher descobriu o carro e inventou o retrovisor.

O homem descobriu o dinheiro e inventou o comércio.

A mulher descobriu o comércio e inventou a dívida.

O homem descobriu a comida e inventou o almoço.

A mulher descobriu a comida e inventou a empregada.

O homem descobriu a mulher e inventou o namoro.

A mulher descobriu o namoro e inventou o casamento.

A aí, o homem não inventou mais nada”!

Deixei Campinas há um quarto de século, mas ainda reconheço a fisionomia de muita gente, certo que alterada pelo tempo, como a minha, claro. Afinal, calvície, cabelos brancos, rugas, pés de galinha e mãos manchadas por pintas meio marrons são sinais de sabedoria e de muito trabalho (palavras que consolam).

Dia desses, quase sete da manhã, fila de embarque da Rio Sul para o Rio de Janeiro, no aeroporto de Viracopos. (Não, eu não ia viajar, posto que ainda não aprendi a voar nem a andar de bicicleta – quando muito, uma de três rodas. Aproveitei aquela folga da manhã só para matar saudade do aeroporto e do cafezinho, de sabor imbatível nos tempos em que o restaurante era do Apostol Tako, egípcio de nascimento, campineiro de adoção, uma das melhores fontes de informação do melhor campo de pouso do mundo.).

De relance, vi naquela fila duas pessoas de quem jamais seria capaz de me esquecer. Estavam sempre juntos aqueles dois amigos. E imaginei: “Nossa! Até hoje continuam amigos. Uma beleza, isso!”. Cumprimentei a dupla com uma saudação discreta, mas um trabalhador da faxina percebeu meu espanto. E ficou quieto.

Tomei o café (nem sombra do que foi), perambulei pela banca de jornais, olhei de novo para a fila da Rio Sul e não vi mais ninguém. Ia seguir viagem, mas o faxineiro me abordou, antes que eu saísse do barracão de passageiros: “Pelo jeito, o senhor conhece aqueles dois…”. Disfarcei: “Sim, mas não me lembro mais dos nomes nem de onde.”.

Ele soltou a bomba: “Pelo menos uma vez por mês, o de terno bege vai com o de terno azul para o Rio. O de bege deve ser apaixonado pela mulher do de terno azul. Os dois têm um caso e o de azul nem desconfia. Quando chegam ao Rio, deve ir cada um para o seu lado. O de bege finge um compromisso, mas pega o avião das 8h40 no Santos Dumont e volta para Campinas. A mulher do de azul está aqui esperando ele. Saem, fazem um programa em algum motel e ela deixa ele aqui de volta. Ele toma o avião das 15h15 para o Rio, chega lá às quatro da tarde e volta do Rio de Janeiro com o amigo para Campinas, no vôo das quatro e meia.”.

Você quer saber quem são? Não conto. Nem para a Paula Pilla.

Pregado no poste: “O que o de azul fica fazendo no Rio?”

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