Florences anônimos

Anônimos, mas campineiros. São leitores, fotógrafos profissionais, talentos e promessas que desfilam diariamente pela seção “Cena Urbana”, aqui do nosso “Correio”. Anônimos para quem está longe, lê o jornal na Internet e não vê o nome de quem fez as fotografias – uma mais oportuna, inusitada ou bela do que a outra. Mas a Janaína Oliveira, do portal “Cosmo”, jura que, logo, esses artistas da imagem serão conhecidos dos internautas. Eles merecem crédito e nós merecemos conhecê-los. Afinal, Campinas é um dos berços da fotografia e, parece, cada campineiro tem uma gota do sangue do Hércules Florence no corpo e na alma.

Resolvi escolher as dez melhores entre as que vi no site. Do fim para o começo (para aumentar a ansiedade), seguem as preferidas. Se sua foto estiver aqui (basta identifica-la pela legenda), por favor, mande mensagem com seu nome. Vamos lá?

10º Vitrine ambulante — Cabides de madeira ficam expostos sobre os ombros de incansáveis vendedores.

9º Conforto – Diante da ausência de assentos no Largo da Catedral, idoso encontra sofá de loja de móveis para descanso providencial antes de prosseguir a caminhada.

8º Sala ambulante — Com jeito de imperatriz sentada no trono, mulher circula pelas ruas da cidade instalada confortavelmente em um sofá, na carroceria da caminhonete.

7º Mazelas urbanas – De cócoras, velhinha tenta se aquecer como pode, enquanto apela à solidariedade de quem passa pela calçada da Francisco Glicério. Ela chora com rosto escondido num enorme agasalho que lhe cobre todo o corpo.

6º Olhar atento — Sempre à procura de alguma presa para caçar, gavião monta posto de observação sobre galhos de árvore na Vila Industrial.

5º Conversa animal — Com a cabeça reclinada como se prestasse muita atenção, a vaca “ouve” atentamente o que o cão tem a dizer “ao pé do ouvido”.

4º ‘Encanado’ — Operário exercita seu lado tatu e se desdobra (ou se dobra?) para executar o serviço em tubulação durante obra em avenida da cidade.

3º O melhor amigo — A candura do menino descalço brincando na rua é cena cada vez mais rara nos centros urbanos na era da informática.

2º Ordem na casa — O chupim vai logo explicando ao tico-tico as regras dos galhos para a diversão de colher as maduras e apetitosas acerolas. (Cá pra nós: parece pedir voto…)

O primeiríssimo lugar sairia na capa do ‘New York Times’, se dom Nery, nosso primeiro bispo, fosse americano:

“Amigos imaginários — Menina sobe em monumento do Largo da Catedral e tenta entender o que as estátuas de duas alunas e uma professora ‘observam’ atentamente”.

Pregado no poste: “Aquilo é Distrito Federal ou Distrito Policial?”

 

 

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