Filha de d. Pedro I, escrava em Campinas

Gente do céu! Coisa de louco esta história que eu vou contar pra vocês. Tudo começou com um presente que só uma professora pode lembrar-se de oferecer. E me chegou bem no Dia do Professor, por obra da benfazeja dona Quinita Sampaio. Na capa está escrito: “A Vinda dos Krug para o Brasil  / por Anna Kupfer (née Krug).  Tradução de Edmundo Krug / revisão e adaptação de Cristiana Krug Ometto do Amaral.”

O relato da vinda dos Krug é de Anna Kupfer, que chegou ao Brasil em 1852, aos 14 anos, direto de Cassel, na Alemanha Central, em companhia dos pais e vários irmãos, para se encontrar com o irmão Georg Krug, que estava em Campinas desde 1846. Na Europa, o patriarca, Johann Heinrich Krug, era marceneiro na corte do imperador Guilherme II, artista, de fazer todos os móveis, assoalhos e tetos em mosaico dos palácios.

Com a queda do imperador, Johann, a mulher Elizabeth e os quatro filhos vivos dos dez que tiveram, partiram para o Brasil, em 1852. Imagine, que embora já existissem navios a vapor – e do porto de Hamburgo, partiam dois por mês para a América do Sul –, vieram num veleiro luxuoso, cujo comandante decidiu contornar toda a Inglaterra, para fugir do Canal da Mancha – ninguém sabe o motivo. (Mestra Quinita sugere que aí deve ter nascido a expressão “bons ventos o trazem!…”)

E assim começou a saga da família Krug em Campinas. Eles estão nas primeiras marcenarias da cidade e na fundação de duas das melhores escolas do Brasil: o Colégio Rio Branco (antiga Escola Alemã), em 1863, e o Culto à Ciência, em 1873 (a festa dos 130 anos será dia 22, não perca!). Estão também no desenvolvimento do Instituto Agronômico. Foi um Georg Krug que contratou o geneticista Alcides Carvalho para pesquisar ali a salvação da lavoura de café no mundo. Anna Krug casou-se com um médico, Otto Kupfer. Viveram em Limeira, Piracicaba, Campinas e na Alemanha. Depois, Campinas de novo. Ela se lembra de que o pai gostava muito de música e que Santana Gomes, irmão do nosso maestro maior, costumava dar uma canja na casa da família.

O mais incrível vem agora: Franz, irmão de Anna, achou que estava na hora de os pais terem alguém para ajudar em casa. Apesar da relutância, comprou, em Itu, um casal de escravos. A negra Rosaura, rebelde, porque tomaram dois de seus filhos logo que nasceram, tinha vivido na corte de d. Pedro I. Contavam que ela era filha do imperador e foi jogada na rua depois que ele abdicou e partiu para Portugal.

Pregado no poste: “Campinas tem cada uma…”

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