Fênix

Coincidência. No mesmo ano em que Campinas renascia das cinzas a que quase foi reduzida pela epidemia da febre amarela, nascia a Ponte Preta. Não por acaso, a figura da fênix renascida domina o brasão da cidade que tem na querida “Nega Véia” um exemplo de garra a ser seguido. A história da Ponte é uma história de vencer desafios, de dar a volta por cima.
Em março de 1965, aconteceu uma dessas histórias. Ela e a Portuguesa Santista decidiram no Majestoso quem subiria para a Divisão Especial. Roberto Medeiros era dono da padaria Jacareí, que existia perto da Casa de Saúde, esquina da Doutor Quirino com Duque de Caxias, junto ao Bar do Santo, um dos primeiros a vender frango em televisão de cachorro na cidade. Chamava-se “Frangonet”. Hoje, seria confundido com frango virtual, assado na Internet… Roberto era fanático pela Ponte. E resolveu bancar um disco para comemorar a vitória, gravado na Continental.
No lado “A”, o hino da subida, na voz do Alcindo Silva, com orquestra, coral e tudo, composição de Baltazar, pai do Baltazar das Neves, técnico de som da Rádio Cultura e depois, técnico em radiologia. Gente fina, o “Baltatinha”. A letra era mais ou menos assim: “No ano passado, começamos a disputar / Vitória! Vitória! Vitória! / Para se classificar. / A Ponte preta ganhou! / É campeã! / Estamos na Primeira Divisão!”.
No lado “B”, uma saudação do lendário radialista Sérgio Salvucci, um ser humano especial, único que Deus deixou nascer vestido – e com a camisa da Ponte. A saudação do Sérgio homenageava os campeões, que nunca foram, Sebastião (Lapola), Beto, Urubatão, Jair Preguinho, Ary, os goleiros Aníbal e Fernandes… todos.
No Cine Ouro Verde passava o filme “Os canhões de Navarone”. E aos sete minutos, um tiro de Samarone acabou com tudo. Uma fogueira imensa de carteirinhas, faixas, camisas e bandeiras ardeu no coração do Majestoso. Pereira Neto, narrador, chorava no microfone da Educadora, lembrando a tragédia de 50 no Maracanã. Renato Medeiros pensou que fossem encalhar os mil discos que mandara prensar. Enganou-se. Os bugrinos compraram tudo.
Pregado no poste: “O Bugre suportaria metade dos fracassos da Ponte?”

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