Feche os olhos

Joyce Urch, 74 anos, cega desde 1979, recuperou a visão semana passada após um enfarte, em Walsgrave, Coventry, na Inglaterra. O marido, irônico como bom inglês, mostrou a ela um espelho e disse: “Você também tem rugas na cara…”

Se lady Joyce fosse campineira, saberia que naquele ano, Campinas produziu 400 toneladas de lixo por dia. Motoristas de táxi ameaçaram parar de trabalhar duas vezes. A polícia jurou ter descoberto o bandido mascarado que em 1961 aterrorizou e matou casais de namorados e amantes nas bandas de Viracopos. Se não morreu, continua solto. Mataram o padre Alvarez Gutierrez dentro da igreja. O povo reagiu contra o aumento do IPTU. A Unicamp desenvolvia o enriquecimento de urânio. Mudava o trânsito na Costa Aguiar.

Já denunciavam supersalários na Câmara Municipal. Servidores da egrégia prometiam devolver o excesso e Seo Pagano, então prefeito, garantia que Campinas teria nova rodoviária. Não ria. Novidade: campineiros protestavam contra a presença de Maluf na cidade. Nossos hospitais alertavam para colapso financeiro. A miss São Paulo era campineira: Léa Sílvia Delaqua.

Um passageiro clandestino do Senegal, 16 anos, conquistava o pessoal de Viracopos. A estrada para o aeroporto era iluminada, para desespero dos ilustres visitantes do Jardim Itatinga. Vizinhos desses campos de pouso e de repouso protestavam contra desapropriações. Um avião caiu: seis mortos; um Xavante da FAB, também: o piloto morreu.

A raposa ia tomar conta do galinheiro, digo, comissão de ‘comerciantes’ prometia controlar preços. Escândalo no ‘Mário Gatti’, greve de lixeiros e de petroleiros. Forte temporal causava pânico e inundações. Seo Pagano pediu licença: “Não sei quando volto.”. Mas voltou. Estudante Rose Maristela foi morta: “Há tóxico no caso!”. Tóxico era notícia.

Na Ponte Preta, Edson Aggio foi eleito presidente e o Cosmo comprou o Oscar. Caminhoneiros paravam: a cidade sem combustível de novo. Povo protesava contra o “absurdo” de impostos e taxas. Fraude no vestibular da Puccamp.

Feche os olhos, ‘milady’. Se estava ruim, ficou pior.

Pregado no poste: “Se há primeira-dama, quem é a segunda?”

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *