Faz tempo?

“Faz tempo que não se confessa, meu filho?”

Assim começava a “inquisição” no confissionário do cônego Mariano, na igreja de Nossa Senhora das Dores; do monsenhor Bagio, na do Sagrado Coração de Jesus; do monsenhor Agostinho, no Carmo… E agora? Acabou a confissão ou acabaram os pecados? Como todo político é culpado — até os inocentes — esse sacramento deveria valer só para eles. Mais divertido do que a penitência passada às crianças era ficar bem pertinho dos adultos, para tentar ouvir seus pecados. Às vezes, escapava a voz do padre: “Como assim, pulou a cerca?”. Ou marcar o tempo que alguém ficava no banco rezando – quanto mais, mais pecados…

O Guilherme Nucci, ilustre embaixador de Campinas em Vitória do Espírito Santo, manda um relato cheirando mais incenso do que mão de coroinha (puts, ainda existe isso?), sobre as velhas missas de Campinas e fala de um escândalo que o mestre João Tojal aprontou no confissionário da Nossa Senhora das Dores. O Tojal jura que o escândalo foi numa missa, assistida, aliás, por suas cinco tias, mais religiosas do que o Papa Pio XII.

Foi assim: ele era coroinha e brincou no altar. Cônego Mariano puxou as “orêia” dele e ele soltou todos os palavrões que um moleque de 11 anos sabe dizer para conhecimento de todos os fiéis. Até hoje, o Tojal se esqueceu de onde fica essa igreja. Agora, o Nucci confessa seus pecados de quase meio século atrás: “Fiz má-criação aos meus pais, briguei com meus irmãos, menti, falei nome feio, fiz coisa feia, olhei pelo buraco da fechadura…” (Que “coisa feia” é essa, Nucci?).

O Geraldo Trinca entra na história: “Na primeira vez, confessei que pus sal de fruta Eno no açucareiro do Café do Povo e que lia o Carlos Zéfiro.” O padre fingia não saber quem era o Carlos Zéfiro. Mas até hoje o Trinca não foi perdoado porque nunca contou pro padre Sigrist nem ao monsehor Bagio que (já) era pontepretano.

Mandei um sobrinho, que ia fazer Primeiro Comunhão, confessar que é corinthiano. Ele contou e o padre o absolveu de todos os pecados — sem penitência. Eu? Só me confessei com o saudoso padre Geraldo. Como bugrinos, nosso único pecado era rir da Ponte Preta. Nem esse pecado posso cometer mais.

Pregado no poste: “É bom se salvar no tapetão, Guarani?”

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