Falsos fraternos

Coração de mãe nem Lulla engana.

“… mas lendo sua crônica, senti coragem de desabafar.

O governo está ou parece estar sempre preocupado com os pobres, como se quem têm com o que viver, graças a Deus, e fez por isso, não são gente, como os pobres dele.

Sinto muita mágoa quando ouço seus discursos, só falando de pobres. Por quê? Ele não sabe que tem gente que, embora tenha com o que viver sem precisar dele, possui filhos doentes, com invalidez permanente e que, às vezes, o dinheiro que tem é pouco para manter essas crianças em casa por décadas? Com a mãe tendo de tomar conta e cuidar? Arrumar alguém para ajudar é caro! Ele vai dizer ‘mas até aí não é nada, porque ela não é pobre!’

Ele não pensa que pode e deve construir hospitais públicos para essas crianças, que vivem dentro de casa, se não forem pobres, ou jogadas pelo terreiro, se forem filhos dos pobres dele, porque ninguém está nem aí com eles, nem os próprios pais?

Eu me apresento: sou mãe de uma deficiente mental de 56 anos, que vive comigo, que tenho 79. Não falo de mim nem pela minha filha, porque jamais me separei dela, mas sinto revolta quando assisto na televisão, a pedidos de doação para manter essas crianças. Que pecado! Um país tão rico como o nosso! É triste saber que ninguém está nem aí, nem para ensinar as crianças que, graças a Deus, são normais. Olham com olhar diferente para as pessoas especiais. Os adultos são piores ainda, pois eu já vi e vejo, dentro do elevador, por exemplo, gente, quando vê minha filha, não entrar ali; se ela estiver no elevador e alguém, entrar, se encolhe todo e puxa o filho bem perto.

Isso é a ‘fraternidade’  em que vivemos? Agem como se estivessem perto de uma cobra venenosa. Que maravilha de educação e lição de amor ao próximo estamos vivendo! A isso eu assisto no mínimo há uns 50 anos.

Pena não sermos os pobres do Sr. Lula! Fôssemos, seríamos ao menos lembrados nos discursos…

Estou disposta a mergulhar nessa ‘Campanha da Fraternidade’, partir em busca dos deficientes físicos e mentais, partilhando, sejam eles os pobres do Sr. Lula ou os esquecidos, que bem ou mal não precisam usufruir da renda mínima que ele oferece aos protegidos dele (será?). Rosa Signorelli Rebolla

Pregado no poste: “A gente não é rica, mas, graças a Deus, não precisa dele”

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