Ex-bolachas

“Era uma vez uma moça à espera de seu vôo na sala de embarque. Como deveria esperar muitas horas, comprou um livro para matar o tempo. Comprou, também, um pacote de bolachas. Sentou-se numa poltrona na sala VIP, para descansar e ler em paz. Ao seu lado sentou-se um homem. Quando ela pegou a primeira bolacha, o homem também pegou uma. Ela se sentiu indignada, mas não disse nada. Apenas pensou: ‘Que cara de pau! Se eu estivesse mais disposta, lhe daria um soco no olho para ele nunca se esquecer.’
A cada bolacha que ela pegava, o homem também pegava uma. Aquilo a deixava tão indignada que não conseguia nem reagir. Quando restava apenas uma bolacha, ela pensou: ‘O que será que este abusado vai fazer agora?’ Então o homem dividiu a última bolacha ao meio, deixando a outra metade para ela. Ah! Aquilo era demais! Ela estava bufando de raiva!
Então, ela pegou o livro, suas coisas e se dirigiu para o embarque. Quando ela se sentou numa poltrona já no avião, olhou dentro da bolsa para pegar uma bala e para sua surpresa, o pacote de bolachas estava lá! Intacto, fechadinho!
Ela sentiu tanta vergonha! Só então percebeu que a errada era ela, sempre tão distraída. Ela havia se esquecido de que suas bolachas estavam guardadas ali. O homem havia dividido as bolachas dele sem se sentir indignado, nervoso ou revoltado, enquanto ela ficara transtornada, pensando estar dividindo as dela com ele. E já não havia mais tempo para se explicar nem para pedir desculpas!”
Volta e meia essa mensagem me chega pela rede mundial. Essa história deve ter acontecido há uns quarenta anos. Mais. Hoje, esses dois não estariam dividindo um pacote de bolacha, salgada, cream cracker ou d’água e sal nem como remédio. Já reparou? As de agora têm gosto de nada, cheiro de papel rasgado e algumas nem papel. Uma marca é igual a outra, tanto faz Ailiram, Parmalat, Xereta, Triunfo, Adria, Tostines, São Luís/Nestlé, Mabel, Gran D’Ia… Quanta mesmice!
Piraquê, Aymoré, Duchen, Campineira, Salclic, São Luís… Cadê vocês? Cadê a lata? Cadê o sabor de uma melhor que o da outra? De olhos fechados, o gosto gostoso bastava para identificar a marca. Tão famosas que a música do anúncio de uma delas virou chacota em campo de futebol: “É hora do lanche, que hora tão feliz, queremos a rosquinha do juiz…”
Pregado no poste: “Prefiro biscoito de polvilho. Olha o salgadinho doce!”

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