Esses argentinos…

“Bauer era considerado, no Brasil, técnico em mineração, havendo solicitado patente de invenção de uma ‘máquina para extrair ouro das minas’. Por isso, estava autorizado a viajar livremente pelo Império, munido de passaporte especial… Em Montevidéu, a caminho de Buenos Aires, o acaso o pôs em contato com um comerciante alemão, Antônio Martín Thym… A irritação de Thym com os brasileiros terá provavelmente convencido Bauer de que poderia encontrar no seu patrício um auxiliar importante… Quando chegaram à capital argentina, relatou-lhe o plano que desejava submeter ao presidente (argentino) Rivadávia… E prometeu pagar-lhe 20 mil pesos e 5% das gratificações que recebesse, na hipótese de êxito da operação.”.

Naquele tempo, o Terceiro Batalhão de Granadeiros, alojado no quartel da Praia Vermelha, Rio de Janeiro, era composto quase exclusivamente por alemães, mercenários como centenas contratados por Pedro I para ajudar a defender a recém-proclamada Independência. Correu o boato de que soldados brasileiros assassinaram dois alemães. O pau comeu. O imperador baixou no quartel e ordenou que desse um passo á frente quem participou da bagunça. Os que se apresentaram levaram cem chibatadas.

O tal de Bauer, alemão, ficou revoltado ao ver seus patrícios humilhados. Quando chegou a Montevidéu, contou a história ao tal de Thym. Foi aí que eles procuraram o presidente Rivadávia com a proposta, naturalmente, rechaçada. Thym acalmou Bauer: “Fique frio que esse Rivadávia será deposto logo, logo.”. Foi. Sucedeu-o Vicente López que, em cinco semanas, passou o cargo a Manuel Dorrego. Insuflados por um cônego, Pedro Vidal, contaram até com ajuda do novo ministro da Guerra, Juan Ramon Balcarce.

O plano deles: levar os mercenários para a Argentina e dar a eles um comandante alemão; pagar os mesmos salários que recebiam no Brasil; o governo argentino alimenta e equipa esse exército e dá todas as condições materiais de operação; as tropas alemãs receberão ordem do governo argentino para ocupar a ilha (hoje, Florianópolis), Santa Catarina mais o território do Rio Grande do Sul e Paraná.

O objetivo era seqüestrar Pedro I e derrubar a monarquia brasileira.

Sabe porque não deu certo? A resposta está no (excelente) livro “Brasil, segredo de Estado – incursão descontraída pela história do país”, do ex-embaixador Sérgio Corrêa da Costa. Uma delícia!

Pregado  no poste: “Te cuida, Fernando Henrique!”

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