Enxergam longe

Três nomes da história recente já estão na história do Brasil.

O primeiro carro a álcool a circular nesta terra foi um Fiat 147, em 1979.  O pai do Proálcool, um dos brasileiros mais dignos que conheço, Cícero Junqueira Franco, provou que o álcool daria certo e ensinou a engenharia automotiva a adaptar o motor. Foi com esse pioneiro visionário e de fibra que aconteceu este fato insólito, lá pras bandas da Alta Noroeste. A Fiat mandou um “147” a álcool para ele testar. Saiu da Usina Vale do Rosário, em Morro Agudo, rumo à Destilaria Pioneiros, em Sud Menucci. Na volta, acho que em Guaíra, acabou o álcool. (Naquele tempo, os jornais divulgavam a relação de postos que já tinham a bomba de etanol. A lista estava errada e Guairá ainda não possuía o combustível revolucionário.). Para espanto e orgulho dos brasileiros daquela cidade, Cícero parou diante de uma farmácia, comprou álcool e encheu o tanque. Seguiu viagem, sorridente e aplaudido pelo povo que viu a façanha.

Todo brasileiro tem de conhecer o Cícero. É uma lição de garra, bom-humor, conhecimento e brasilidade. Hoje, a Vale do Rosário é a maior co-geradora de eletricidade a partir da biomassa (bagaço de cana), e por isso, maior vendedora de crédito de carbono. O Cícero é assim: tudo o que ele vê no futuro, traz para o presente e dá de presente para os brasileiros.

Todo brasileiro também precisa conhecer o Roberto Godoy (seguramente, hors concours na escolha das sete maravilhas de Campinas). Mais jovem ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo, aos 21 anos, com a reportagem sobre o primeiro computador brasileiro, na Unicamp – o ‘Cisne Branco’. E de novo premiado em 1996, quando ele e equipe fizeram deste nosso “Correio” a maior contribuição à imprensa brasileira.

Argúcia? O ditador Médici acabara de inaugurar a Replan e partia naquela tarde de sábado de volta a Brasília. No “chiqueirinho” de Viracopos, onde gorilas confinavam repórteres, enquanto uns viam o embarque, ‘Seoroberto’, como dizia minha avó, via notícia: lá no fundo, um ponto branco. Ele cochichou para fotógrafo Toninho Erbolato: “Puxe aquele ponto branco o mais que você puder. É o ‘147’, que a Fiat quer fazer no Brasil, se o governo autorizar a fábrica. Trouxeram para mostrar ao Médici”.

Furaço!

Outro pioneirismo é da própria Fiat. Como contou o repórter Marcelo Andriotti, na edição de domingo, o carro elétrico testado na CPFL, em parceira com a Itaipu, é um Palio.

Pregado no poste: “Relaxa e goza, paquita do asilo!”

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