Entre beijos

Há uma luz no fim do túnel. E desta vez é o farol de uma locomotiva. Ela vem pilotada por um ‘maquinista’ do século 21, que sabe valorizar o que foi bom para Campinas no século 19 e metade do século 20. Depois disso, o que foi bom acabou destruído por homens maus.
Esse ‘maquinista’ anda assustado. Ele e sua equipe conseguiram salvar, sozinhos, o que restou da extinta e gloriosa Companhia Mojiana de Estradas de Ferro – um pedaço de bom caminho de 25 quilômetros, que sai de Campinas e acaba em Campinas. O ‘maquinista’ Henrique Anunziatta anda assustado porque depois de tanto implorar apoio de “otoridades” e “empresários” brasileiros (nem tanto), a salvação se anuncia em Hollywood.
O mago do cinema Steven Spielberg examinou trens do século passado que ainda vivem em 700 cidades deste mundão e escolheu justamente a maria-fumaça que sobrevive num lugar onde os trens foram assassinados. É a mesma maria-fumaça que todo fim de semana teima em sair da antiga estação da Paulista e chega à divisa de Jaguariúna, só para mostrar ao povo que, um dia, o Brasil foi governado por brasileiros que sabiam da importância da estrada de ferro para a vida e a qualidade de vida das comunidades.
Alguém sabe que esta cidade, berço da Mojiana, abrigou as estações Guanabara, Anhumas (ali pertinho do Carrefour), Pedro Américo (na Fazenda São Vicente), Tanquinho (na Fazenda Santa Maria), Desembargador Furtado (na Fazenda Duas Pontes) e Carlos Gomes (na Fazenda Mato Dentro)? Essas estações ainda existem, graças à Associação Brasileira de Preservação Ferroviária, da equipe do ‘maquinista’ Henrique. Como é o Spielberg que se interessou pelo patrimônio que mataram, pode ser que aproveitadores de plantão queiram aparecer. Afinal, em ano eleitoral, abutres surgem em sobrevôo, disfarçados de pombos.
Antes que eles pousem na própria carniça que criaram, que tal o Carrefour dar uma mãozinha na recuperação da Anhumas, pelo menos? Hei, Henrique: se o Carrefour não puder, talvez o Pão de Açúcar… Quem sabe, entre um beijo e outro, Mel Gibson e Meryl Streep façam uma comprinha.
Pregado no poste: “O Brasil é mercado ou mercadoria?”

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