Ela retirou na hora ‘H’

Qualquer dia, o cenário, o milagre, o santo, os espertalhões e a pecadora serão revelados. Por enquanto, oito ou nove dos onze vereadores de uma cidadezinha aí estão com seus bens bloqueados – político tem bens ou só tem males? Os magistrados liberaram apenas a conta corrente, para os diabos não morrerem de fome. A história começou tem mais de três anos. Imagine você uma história dessas num lugarejo que não deve ter mais do que três mil sobreviventes.

Foi então que um dos vereadores aceitou dar carona a uma das cidadãs. No dia seguinte, ela deu parte na delegacia contra o nobre edil, acusando-o de assédio sexual. Não sei se ela é do tipo que mereça, ao menos, ser paquerada. Os vereadores à egrégia câmara do lugar cassaram o mandato do garanhão da edilidade antes mesmo que o inquérito fosse concluído. Acontece que a vítima do assédio, não se sabem os motivos de tal tresloucado gesto, foi à delegacia retirar a queixa. O delegado, para espanto dos que já sabiam da fofoca, aceitou! Afinal, o vereador buzinou ou não buzinou? Digo, bolinou ou não bolinou?

Certo é que o aprendiz de galã, diante da queixa retirada, pediu na justiça o mandato de volta e indenização por danos (i)morais. A justiça deu os dois. O mandato e uma polpuda indenização: avaliou a moral do cara em nada menos do que mil (mil!!!) salários mínimos. A egrégia aceitou o ex-garanhão de volta, mas não quis pagar pela moral. (Cá entre nós, o orçamento da cidade, acho, não dá pra tanto…).

Aqui, a história carece de exatidão, mas consta que ele foi à propriedade rural do presidente da egrégia, encheu-lhe a cara de sopapos e o papo de socos, amarrou-lhe as mãos aos pés, depositou a fera caloteira na frente do delegado (!) E desafiou: “Diz aí para o doutor o que você me falou dele e o que você disse que faria, se o juiz mandasse ele pagar o que a câmara me deve!”. Fizeram um acordo. E a egrégia pagou, em vez de mil, 900 mínimos!

Depois de três anos, o tribunal de contas do estado onde fica a cidadezinha resolveu perguntar o que tanto a câmara pagava a um vereador — ele terminou de receber as parcelas tem dois ou três meses. “Acordo de 90%? Isso não é acordo!”, exclamaram lá no tribunal. Mandaram a história para o ministério público, que mandou para os magistrados, que mandaram bloquear tudo. Gozado nisso tudo é que quem conta a história jura que não conhece a protagonista (a que mandou tirar o assédio na hora ‘H’…).

Pregado no poste: “Na minha terra, esse assédio tem outro nome”

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