É verdade e dou fé

“Pelo presente, eu, Mário L. Erbolato, brasileiro, casado, jornalista, advogado e funcionário público municipal, com apoio no Artigo 1.651 do Código Civil e independentemente de qualquer testamento que venha a fazer, declaro de livre e espontânea vontade, que são as seguintes as minhas disposições especiais sobre meu enterro: não pretendo que qualquer Senhor Vereador da Legislatura instalada em 1º de Fevereiro de 1977 compareça aos meus funerais bem como às missas que por minha alma serão rezadas. Dispenso, outrossim, cartões, ofícios, requerimentos de pesar, minutos de silêncio, suspensão de sessão ou do expediente do trabalho. Bem como quaisquer outras manifestações partidas da Câmara Municipal de Campinas. Igualmente não desejo a presença de funcionários da mesma Câmara que, por seus atos ou omissões, foram hipócritas em se relacionarem comigo. Destaco, todavia que, tanto entre vereadores quanto entre funcionários, possuo amigos aos quais muito estimo.

Campinas, aos seis dias do mês de junho do ano de mil, novecentos e setenta oito.”

Ele trabalhou durante 32 anos na Câmara Municipal de Campinas – aprovado por concurso público e não colocado lá por padrinhos políticos. Ou seja, porque mereceu os cargos que ocupou, por competência, dignidade e honradez. Começou como Assessor Técnico Legislativo e, no final da carreira, em 1982, aposentou-se como sub-diretor geral. O diretor era Roque de Marco Gatti, filho do lendário médico Mário Gatti, que dá nome ao hospital municipal. E trabalhava todos os dias e todas as noites em que havia sessão.

Acordava às quatro e meia da manhã para ler os jornais e nos acordava à aquela hora, sempre que algo importante estava para acontecer, em Campinas ou em qualquer ponto do Estado que aquela brava Sucursal cobria. Passava as manhãs na Sucursal do Estadão, ensinado três “focas” sob sua batuta: o filho, fotógrafo Antônio Carlos, Roberto Godoy (nem sei quantos prêmios Esso nas costas), e este locutor que vos escreve. E lecionava no curso de Comunicações da Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Muitos dos que hoje brilham nas redações deste Brasil foram seus alunos ou aprenderam em seus muitos livros que deixou de herança para o nosso jornalismo.

E nos deixou, também como ensinamento, uma grande verdade: “A atual Legislatura é melhor que a próxima e muito pior do que passada.”

Pregado no poste: “Quando um político se candidata, o povo também é candidato — à vítima”

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