É tudo boato 2

Agora, é uma criança que morreu picada por uma cobra na piscina de bolinhas de um shopping center em Piracicaba. Boato. Há tempo não aparece um, para animar a conversa das comadres, do happy hour, do velório ou na fila dos bancos e do SUS, nas salas de bordéis, se é que ainda existem bordéis.

Às vezes, o boato é para difamar uma cidade e a coisa gruda. Por exemplo: demorou a Bauru se livrar da estória de que um prefeito pagava para os motoristas do Expresso de Prata dar voltas e voltas até chegar à estação rodoviária, só para dar impressão aos viajantes de que a cidade “é grande”. É ou não é coisa de quem não tem o que fazer? Quando o Papa foi a Aparecida, inventaram de que tanta gente naquela terra, provocaria um caos. Resultado: não apareceu nem metade do povo esperado e o comércio deu com os burros n’água. Bem feito: lá, a santa, além de venerada, é vendida.

Já dizem que as sessões da Câmara de Porto Ferreira devem ser proibidas para menores. (Só as de Porto Ferreira?)

Bastou o doutor Roberto (que Deus o tenha) difundir num “Globo Repórter” o apelido de “Califórnia Brasileira”, que o Ricardinho Kotscho deu a Ribeirão Preto, para isto aqui se encher de bandidos. Semana passada, espalharam pela Internet que a água de coco de Caraguatatuba transmite o mal de Chagas, que os coqueiros de lá não resistem ao protozoário causador da doença… Absurdo. Essa fama, uns trinta anos atrás, também pegou uma cidade aqui perto de Ribeirão, por causa da grande quantidade de portadores dessa moléstia terrível. Aí, começaram as brincadeiras maldosas: “Lá, ninguém vende fiado; motorista de ônibus tem de ser de outro lugar; jogo de futebol começa com 14 de cada lado, para acabar com 11…” Só Deus sabe o que Goiânia sofreu depois das cápsulas de césio. Lembra?

Eu já vi comer gato por lebre, rã por lagosta, mas rato, digo, pomba por codorna, nunca. Com essa história da matança de gatos na Lagoa do Taquaral, em Campinas, quer apostar como vão espalhar que os churrascos de lá são de carne de gato? Mais: começou a caçada em massa aos pombos do Largo do Rosário, lá mesmo. Logo, vão dizer que restaurantes de Campinas vendem  pombos em vez de perdizes.

A boataria não pára. Há uns trinta anos, inventaram que um operário foi dissolvido num tanque de xarope da Coca-cola, no Rio de Janeiro. A Folha de S. Paulo e o Pasquim embarcaram e nunca provaram (o fato nem o xarope…). Existe a invencionice do “bebê-diabo”, obra do extinto “Notícias Populares” para vender jornal? Quando perdeu a graça, inventaram “o monstro da represa Billings”, como o do Lago Ness, na Ecócia. Durou pouco. Depois, vieram o chupa-cabras e o ET de Varginha. Em Sorocaba, um espantalho sumido virou santo. Imagine.

E quando diziam que o camarão sai de Santos; passa em Itu, para ficar grande; em Piracicaba, para criar chifres, e em Campinas para ficar fresco?

Não demora, vão espalhar por aí que campineiro é bicha…

Pregado no poste: “Só faltava essa!”

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