E se fosse hoje?

Depois das andorinhas, das pipas, dos jatos e dos pombos, chega a vez das maritacas. O repórter Gilson Rei avisa que elas tomam o céu de Campinas. Enquanto os pombos são ratos de asa, elas são as galinhas que voam: a zoada dessas verdinhas incomoda mais do que britadeira, serra elétrica e discurso de político. E quando elas inventam de fazer ninho no telhado?

Diz o campineiro dr. Wagner L. H. Toyama a um leitor da revista “Saúde Animal” que as maritacas têm vida longa e variável, entre 12 e 38 anos. Acho que tudo depende da paciência de quem vive perto delas. Como elas vivem em bandos de 50, 60, imagine agüentar essa orquestra louca e monocórdica por 38 anos! Pior do que isso, só “Dominique, nique, nique”…

Bem no começo do século passado, a prefeitura de Jaboticabal apelou. Os italianos, que chegavam em massa para trabalhar nas lavouras de café, não conheciam maritacas. E quem estava acostumado a Giuseppe Verdi, que acabara de falecer em Milão, Ruggero Leoncavallo, Pietro Mascagni Carlos Gomes e Amilcare Ponchielli, jamais trocaria esses mestres por aquelas gralhas devoradoras de suas lavouras de milho.

E foi por devorar as plantações, que os italianos foram às autoridades pedir providência: “O noi o lei”.

Resultado: a prefeitura baixou uma portaria, exigindo que cada produtor rural ficasse obrigado a abater diariamente dez maritacas por colono que houvesse em sua fazenda, e apresentar os bichos mortos aos fiscais municipais, que atestavam a entrega em livro-fiscal. Se não entregasse a “carga”, seria multado em dez mil réis por empregado omisso.

A portaria justifica a matança: “Tais aves existem em multidões inumeráveis, em densas nuvens que nada deixam nos campos de cereais quando sobre eles se abatem…”

Fico pensando na reação dos ecologistas e eco-chatos de plantão se, de repente, o doutor Hélio exigir de cada habitante de Campinas dez pombos mortos por dia na porta do Palácio dos Jequitibás, sob pena (pena?) de pagar dez reais de multa em caso de omissão. Garanto que, pelo menos, a saúde da população e a higiene da cidade sairiam ganhando. Agora, se o alcaide prometer pagar um real por pombo morto, tem gente que vai criar pombos.

Pregado no poste: “Seo dr. Hélio, pombas!”

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