E porque não?

Campineiro com mais de 35 anos só nasceu na velha maternidade, lá no alto da Barão de Itapura; na Casa de Saúde Campinas, na praça dr Tófoli, ou na Santa Casa de Misericórdia, na Rua Padre Vieira. A velha maternidade foi demolida para a construção da rodoviária, que hoje está pronta para ser demolida. Imagine você, nestes tempos de impunidade, licenciosidade e maternidade a céu aberto, o que acontecerá naquele vazio? Será o paraíso dos sem-teto (tanto dos que não têm onde morar como dos que só têm carro conversível…).

Quem diria! O trem passou o ônibus, nos planos das “otoridades” que viveram as últimas décadas privilegiando rodovias, rodoviárias, contrariando a lógica e o apelo do povo, até matarem as ferrovias. Agora, Campinas inova e tenta reaproximar os dois meios de transporte, sonhando revigorar até a velha Sorocabana, redimindo o fracassado VLT e usando o asfalto para revigorar os trilhos.  Sangue novo no novo trem, o ‘bala’, que promete chegar embalado por outro sonho, o da Copa do Mundo.

Tomara que não nasça com cara de velha e pronta para trazer suas incríveis adjacências, aquela paisagem de inevitáveis hotéis de curta permanência; botequins infestados de moscas, coxinhas com varizes, ovos coloridos, torresmos de quando o porco era porquinho, mesa de sinuca verde-limbo, tacos ensebados, fernete, conhaque Dubar, fogo paulista, rabo de galo, PG (pinga com groselha), cigarros Continental, Hollywood, Sudam, Lincoln, Petit Londrinos, maçã Vanucci, tubaína funada, relógio de parede com teia de aranha segurando os ponteiros, soda Colúmbia, moinho de café Bourbon e São Joaquim, baleiros, rifas, dadinhos e banheiro nos fundos, com cheiros espalhados por todos os quadrantes.

Curioso é que em Marília, cidade-berço da mais antiga rodoviária da América do Sul não aconteceu isso. Não é fácil tirar essas marcas das rodoviárias de qualquer cidade. As duas mais antigas profissões, a das prostitutas e dos camelôs, conhecem o mercado — e os políticos (a terceira) conhecem o eleitorado que precisam ‘proteger’.

É um imã. Não sei se ainda é assim, mas num passado não muito longe, era marcante a viagem no “Cometa das Seis Horas” que partia da Rodoviária de São Paulo em cima da “Hora da Ave-Maria”. Vinha lotado de jovens belíssimas, elegantes, que desciam na rotatória do Km 92 da Anhangüera, onde já esperava por elas uma frota de táxis. Em vez de rumar para a rodoviária, desciam ali e direto para o Jardim Itatinga…

Taí! Seo dr. Hélio, se não der certo, o senhor faz outra rodoviária nova no Jardim Itatinga.

Pregado no poste: “Quem não voa vem de ônibus, uai!”

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