E o Nito se casou

Aí é que a coisa pega. O Carlos de Paula e o Laerte Zago, maiores autoridades histórico-ferroviárias do Brasil e do mundo, abrem as cortinas e narram o espetáculo: “A ‘Cabrita’ era uma locomotiva movida à lenha, que puxou um trem por ali até 1923. Saía da estação da Paulista, pegava a Andrade de Neves, o pontilhão da Paula Bueno, Furazóio, Vila Bradina, Sousas, Joaquim Egydio e sopé da Serra das Cabras. Era do Ramal Férreo Campineiro, bitola de 60 centímetros. (A da Mogiana, Sorocabana e dos bondes, um metro, e o da Paulista, 1,60 metro.) Aquilo devia chacoalhar mais que terremoto japonês.” (Puts! Sabem até a largura entre os trilhos!)

Agora, ouça mais esta: “O bondão veio em 23. Dois carros fechados, primeira e segunda classes, bagageiro mais banheiro no meio dos dois. E elétrico.” Bonde com banheiro! Só em Campinas. Quando passavam pela ponte do Atibaia, saltavam do bondão os irmãos Cláudio e Mabelis Henriques, já de maiô (de lã) e nadavam contra o rio até o casarão do Regatas. (Alguém agüenta essa façanha hoje? Nem Lineu Henriques. Sua Juari, quem sabe?) De Joaquim Egydio, partia um ramal para a fazenda do dr. Lacerda, com um bonde movido à gasolina, meu!

Joaquim Egydio é capital do Arraial dos Sousas e berço de metade dos fundadores da Puccamp. É lá que vão tombar aquele casarão onde viveu o Nito, quase rei do futebol, não estivesse apaixonado. Dia desses, para dar um final feliz à história da semana passada, recebi esta mensagem, do Edgar Rizzo:

“O Nito é meu primo, filho do Zuza Nalin e de Filhinha (de nome Guiomar). Zuza e Güerino eram dois dos doze filhos de minha avó Elvira, vinda da Itália com o meu avô Étore, último dono do casarão, que bem poderia receber o nome dele.

Étore foi um dos cidadãos de maior importância naquela época. Era capelão da igreja de São Joaquim, da qual ajudou a construir a torre. Morreu na porta do templo, depois de celebrar uma oração num domingo sem missa, por falta de padre. Também era alfaiate de prestígio e cosia as batinas de monsenhor Luis Gonzaga de Moura. Era amigo de d. Agnelo Rossi, filho de d. Vitória e seo Miguel, compadres de meu pai e minha mãe (Domingos Rizzo e Ermínia).

Voltando a falar no Nito, ele se casou, mesmo, com a Rina, filha do Santo Rizzo, de Cosmópolis. Meu pai brincava, dizendo que eram primos, mas nem se conheciam.

O Santo Rizzo tinha um bar perto da estação da Funilense em Cosmópolis.”

Pregado no poste: “Bote o nome do Étore no casarão, dr. Hélio!”

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