É o fim do mundo

O Beto Godoy está alertando, no “Café-Concerto”, que o mundo vai acabar em julho. Pelo jeito, o fim começou em Araçatuba. O repórter Eder Parladore, do jornal Folha da Região, daquela cidade, fez uma reportagem domingo, com depoimentos inacreditáveis de um jovem, da mãe (?!) de um garoto de 13 anos, de uma mãe-comerciante (mais comerciante do que mãe) e daquele notório deputado federal defensor das drogas. A conclusão é sua:

“O presidente Fernando Henrique Cardoso disse que fumou, mas não tragou e nunca foi preso por uso da discutida maconha. Em Araçatuba, um Fernando Henrique bem menos conhecido espera para saber se será processado após ter sido preso por estar usando uma camiseta da banda Planet Hemp, e uma bijuteria com pingente em forma da folha da erva.”.

“O dedetizador Fernando Henrique Prado Silva, de 19 anos, foi detido dia 17 de março, acusado de fazer apologia do crime, conforme o artigo 287 do Código Penal. Caso seja processado, pode ser preso por período de três a seis meses ou pagar multa. Silva foi detido próximo à escola ‘EE Maria Aparecida Balthazar Poço’, no bairro Monte Carlo, em companhia de amigos, e levado ao plantão policial. Mesmo sem encontrar maconha, apenas possíveis papéis para enrolar a erva, o delegado de plantão Milton Bassoto Júnior registrou boletim de ocorrência por apologia. O jovem considera ‘um absurdo’ a polícia recolher objetos que tenham o símbolo da planta. ‘Um simples desenho não induz ninguém a nada e, além do mais, todos temos o direito de livre expressão’, afirma.”.

“O deputado federal Fernando Gabeira (PV) também acha absurdo. Em entrevista à Folha da Região, ele afirmou se tratar de intolerância. ‘Outras drogas legalizadas estampadas na camiseta de muita gente são extremamente prejudiciais’, diz.”.

“A dona de casa araçatubense M.P.M., 35 anos, discorda da aplicação da lei. Ela usa uma pulseira com o desenho de uma folha da maconha, que ganhou de presente do filho de 13 anos, e ficou indignada quando soube da apreensão da camiseta de Fernando Henrique Prado Filho. ‘Meu filho fuma maconha e eu acho que deveria liberar. Se eu andar com uma blusa com a folha da erva, vão me deixar voltar para casa sem blusa?’. M.P. acha que, ao contrário da maconha, existem camisetas com mensagens muito negativas. ‘Tem camisetas com dizeres muito mais feios sobre outras coisas que são uma droga. O símbolo da maconha é tão bonito’, diz ela, garantindo que não é usuária. Uma camiseta, na sua opinião, não induz ninguém a consumir a erva. ‘Quem não fuma não vai passar a consumir e quem já fuma vai continuar fumando’, conclui.”.

“Para a proprietária da Woodstock CDs, Helena Makinodan, não se pode culpar as lojas por venderem músicas com mensagens apológicas. ‘Música é feita para vender. Não podemos ser condenados pela carga ideológica de cada música. Esse é um problema da legislação’, diz. Entre muitos CDs, Helena aponta outros que discursam sobre ‘drogas legalizadas’ e nem por isso seus autores são condenados. ‘Sertanejos, por exemplo, falam muito de álcool’, comenta. Quanto aos CDs de bandas que falam ou sugerem o uso de maconha, a proprietária tem duas opiniões distintas. ‘Como comerciante, preciso vender. Como mãe, não gostaria que meus filhos ouvissem’, argumenta.”.

Pregado no poste: “Traficante deixa o filho usar droga?”

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