E Deus?

 

Quando aquele senhor Salim Maluf era secretário de Transportes de São Paulo, ele obrigava prefeitos a instalar placas de granito em blocos de pedra nas estradas pavimentadas, recapeadas ou duplicadas por ele, com os nomes dele e do governador, Laudo Natel, agradecendo a obra. Um nojo: pedantismo, arrogância, narcisismo, vaidade – coisa de políticos. Afinal, a obra não é do governante, mas do povo, que trabalha e paga (mais do que deve) por ela. Um dia, essa dupla esteve em Campinas para ver o então ministro dos Transportes Mário Andreazza inaugurar uma locomotiva, aí na General Eletric. Perguntei, na bucha, para o coronel do ditador Médici, bem na frente dos dois: “Como o governo federal vê essas placas em estradas com nomes de governantes?” Silêncio, constrangedor para todos e divertidíssimo pra mim. O Andreazza, mais vermelho do que a bandeira do PT, balbuciou: “O governo espera ser imitado. Na Transamazônica, que acaba de ser inaugurada, não existe o meu nome nem o do presidente da República…”. Depois, veio me pedir para não mandar a notícia. Vitória! A censura não viu ou deixou passar só para ridicularizar a dupla.

Agora, Cláudio Humberto, jornalista em Brasília, fez as contas e, na minha modesta opinião, descobriu que há mais nomes da família Sarney (grrr!) em prédios e logradouros no Maranhão do que monumentos em homenagem à família Kenedy no mundo inteiro.

Veja você: “Um estado chamado Sarney — Os adversários da família Sarney, no Maranhão, reclamam à toa. Afinal, maranhense já nasce na Maternidade Marly Sarney, depois estuda nas escolas Sarney Neto, Roseana Sarney, Fernando Sarney, Marly Sarney e José Sarney; faz pesquisa na Biblioteca José Sarney; consulta-se no Posto de Saúde Marly Sarney; mora numa das vilas Sarney, Sarney Filho, Kiola Sarney ou Roseana Sarney; lê notícias no jornal da família; vê a TV do clã; ouve as 35 rádios (AM e FM) do grupo no Estado e, se quiser saber das contas públicas, vai ao Tribunal de Contas, cujo prédio foi batizado de Roseana Sarney. Para transitar em São Luís, atravessa a ponte José Sarney, trafega na Avenida José Sarney e viaja a partir da rodoviária Kiola Sarney. Se achar pouco, ainda pode morar no município José Sarney. Se não gostar, queixa-se no Fórum José Sarney ou na Sala de Imprensa Marly Sarney. E ainda tem direito de recorrer à Sala de Defensoria Pública Kiola Sarney. Tem mais: além de batizar obras estaduais com seu sobrenome, a ex-governadora Roseana Sarney denominou com o próprio nome a BR-226, que é federal e construída com recursos da União.”

Talvez enciumado, um desembargador baiano exagerou: “Baiano não nasce, estréia — O ‘Diário do Poder Judiciário’ da Bahia circulou ontem com uma edição especial relatando apenas as ‘realizações’ do primeiro ano da administração do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Gilberto Caribé. Na edição, de 16 páginas, o nome do desembargador é citado pelo menos 125 vezes e sua foto aparece em outras 15 oportunidades.”.

E outro baiano arretado, o Lucas Sampaio, arremata: “Cumpre afirmar que para nós, baianos, não é de se espantar que haja um Estado chamado Sarney. Conta-se que um paulista, ao sair do centro da cidade e dirigir-se ao aeroporto de Salvador, passou pelas avenidas Juracy Magalhães, Antônio Carlos Magalhães e Magalhães Neto. Adiante, passou por uma Escola Modelo Luis Eduardo Magalhães, Monumento Luís Eduardo Magalhães, e chegou, enfim, ao Aeroporto Luís Eduardo Magalhães, chamado de ‘Alem’. E soube da existência de município com o mesmo nome. Intrigado, perguntou ao taxista o porquê da importância desse homem, ao que foi respondido que o filho de ACM foi o único baiano que tinha morrido de estresse.”

Será que no Céu existe a Avenida Deus Nosso Senhor Jesus Cristo?

Pregado no poste: “Lula trocou a água ardente pelo vinho francês?”

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