E depois do “parabéns”…

 

Cultura de almanaque: hoje, como todos os dias, pelo menos 400 mil brasileiros fazem aniversário. E quase todos ouvirão a música mais tocada no País: “Parabéns a você…” Essa mensagem musical nasceu em 1875, claro, na matriz, composta por duas professoras primárias, com o nome de “Good morning to all – Bom dia a todos”. Em 1924, foi rebatizada como “Happy birthday to you”, para ser cantada em aniversários, e em 1933, um musical da Broadway a consagrou mundialmente. Em 1941, um concurso da Rádio Nacional do Rio, para dar uma letra em português à musiquinha, escolheu a da mestra e farmacêutica de Pindamonhangaba Berta Celeste Homem de Mello, que a compôs em cinco minutos. Dona Berta morreu há três anos, mas cantaremos sua obra e das colegas americanas pela vida toda.

E o que se entoa depois do “Parabéns”? É o “pique-pique”, não? Está no excelentíssimo (talvez meritíssimo) site “Migalhas.com.br”, destinado ao mundo jurídico, em artigo do doutor Adriano Marrey, a história do “pique”. Que é brasileiro até a medula. Vamos ler?

“Estudantes de uma turma próxima de 1930 criaram o popular ‘pique-pique’. Poucos conhecem sua singular origem. Escreveu Guilherme de Almeida que três estudantes da turma de 1927 eram então amigos inseparáveis nas horas de boêmia. Um deles, Ubirajara Martins de Souza, usava um extraordinário bigode de pontas finas e retorcidas para cima e por isso era apelidado de ‘pique-pique’. Outro era Mário Ribeiro da Silva, ‘inteligência viva e afinado senso de humor’, que apreciava desconsertar os interlocutores mais austeros, interdizendo no meio das conversas frases desconexas, como esta: ‘Veja você, heim? Meia hora…’. O terceiro era Aru Medeiros; e juntos constituíam o grupo do ‘Pudim’…

Numa noite em que bebericavam o seu ‘chope’, no bar Pérola do Douro, sendo aniversário de Ubirajara, Mário o brindava, gritando: ‘Pique-pique, pique-pique, pique-pique’. Retrucou, então, Ubirajara: ‘Meia hora, meia hora, meia hora’. Daí, para emendar com ‘Rá-tchin-bum’, foi um relâmpago. Estava criado o hino do ‘Pudim’, o grito de guerra de toda a estudantada.

Recordou Guilherme de Almeida que “no dia seguinte visitava a Faculdade de Direito o Marajá de Kapurtala. Entre outras manifestações, recebeu nas bochechas ilustres, berrado de perto, o primeiro ‘pique-pique’ oficial. Gostou e manifestou alto interesse pela harmonia da sugestiva língua falada no Brasil”…

Pregado no poste: “Em que marqueteiro você vai votar?”

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