E agora?

Quando o alvo era só elas, até parece que foi fácil resolver o dilema do sexo e roque em rol na cidade. Agora, além de drogas, rip rope, bate-estaca, gip-gip e nheco-nheco, há o direito delas que são eles, deles que são elas e tome polca, a céu aberto. Céus! Está todo mundo voltando pro mato, o famoso matinho de antigamente. Eis que o jornalista Marco Antônio Quintas revela sua condição de secretário das reuniões de próceres campineiros que criaram o Jardim Itatinga. Como diz a revista “Veja”, seu relato:

“Em1967, eu, foca no ‘Diário do Povo’, mas homem de confiança do diretor da redação Luso Ventura, participei de vários encontros na sala dele, onde tudo começou. Não me recordo do nome do delegado seccional (Cid Leme?), mas a composição era essa: representando a Câmara, Romeu Santini; a Assembleia, o deputado Jamil Gadia e (pasme) a Policia Civil, o investigador Lazinho… (Pasmei…)

Luso me pedia para anotar tudo e guardar. Um dia qualquer ele me pediria para redigir o texto final. As reuniões eram semanais e todas no ‘Diário’, ali na César Bierrenbach. Há um estudo histórico e socioeconômico que fundamenta tudo. Na verdade, só em 1965 surge a iniciativa de se retirar as prostitutas e os bordéis que proliferavam entre o Mercado Municipal e a Estação da Paulista.

Era o fim de um convívio social intolerável e a efetivação de uma ação conjunta entre a polícia, a imprensa que, de acordo com o investigador de polícia Borges, através das notícias divulgadas no ‘Correio’ e ‘Diário’, expunha as prostitutas e as esteriotipava como desobedientes à ordem social e à Igreja; esta, atendendo aos reclamos da sociedade cristã e aos seus dogmas, não as aceitava. Por fim, a Prefeitura, direta ou indiretamente, provocou o chamado confinamento das moças de difícil vida fácil numa área essencialmente rural e distante. A zona, criada exclusivamente para esse fim, chamou a atenção de todo o país. Com o alastramento da notícia e iludidas pelo dinheiro que poderiam ganhar por meio da prostituição, provocam um aumento excessivo do número de mulheres no bairro.”.

Foi bom e exemplar enquanto durou; igreja, posto de saúde, creche, Mobral, ponto de ônibus e de táxi, boate… Até creche (creio que pela primeira vez na história da mais antiga das profissões, os mal-afamados filhos delas tiveram reconhecimento público). Elegeram uma vereadora, que mereceu capa da revista ‘Time’, a ‘tia’ Clara de Oliveira, que tinha programa infantil na Rádio Educadora, com o alfaiate João Fida.

Hoje, passe por lá e veja que até a prostituição conseguiram degenerar.

Pregado no poste: “Seja religioso, mas não dê voto nem dízimo”

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