Dona Izalene e o padre

“Nossa! Mas este bar está cheio de ninguém!”. Assim se manifestava o impagável cidadão carioca até a medula Roniquito du Chevalier, ao entrar onde não conhecia gente alguma. Com a mesma decepção e espanto, vi a foto do jornalista Carlos Bassan tirada na missa celebrada na Basílica do Carmo pelo aniversário da cidade: “Nossa! Mas a igreja estava cheia de ninguém!”. Sem ninguém é modo de dizer — mas reconheci só dona Izalene e, ao lado dela, havia quatro pessoas, três senhoras e um senhor, não identificadas na fotografia. A fila dela estava no primeiro banco, eu acho. O patético vem depois: segundo banco, ninguém; terceiro banco, ninguém; quarto banco… Ninguém! E o povo, lá atrás, longe da prefeita e das pessoas não identificadas. Nem o cordão dos puxa-sacos nem os papagaios de pirata. Se bem que puxa-saco ali ficaria esquisito…

O repórter Marcelo de Oliveira viu tudo e contou só 150 pessoas na missa solene do aniversário de Campinas. O povo abandonou a senhora, prefeita? Ou a senhora é que continua abandonando o povo? E olha que nossa prefeita abriu o santo sacrifício destacando “a importância da retomada da auto-estima do campineiro”. Tô vendo. Deus também: 150 pessoas entre quase um milhão de campineiros.

Diz o Marcelo que a senhora ficou só 22 minutos na missa. No meu tempo de paroquiano da igreja do Carmo, ai de quem saísse antes de a missa terminar. Pecado mortal – a senhora sabe disso. Monsenhor Lázaro Mütchelle punha as catequistas para correr atrás de quem saísse antes da benção final. Onde já se viu?! Penitência: dez “Pai Nosso” e dez “Ave Maria”, ou “dez Pais nossos” e dez “Avem Marias”, dona Célia Farjalllat? Ele era fogo para perdoar. Uma vez, disse a ele que não fui à missa porque espetara um prego no pé. Ele disparou: “Se foi no pé, dava para vir e ficar sentado…” Eu ri e ele também. Mas não escapei: dez e dez.

Já imaginou, prefeita, se o cônego Cipolini põe os poucos campineiros que prestigiaram a missa para correr atrás da senhora pela Barreto Leme, Barão de Jaguara, Sacramento…? Bento Quirino e César Bierrenbach gritando de seus monumentos: “Pega! Pega! Pega! Olha a prefeita enforcando a missa!” E dona Izalene nem presenciou a colocação da coroa de flores em homenagem ao fundador da cidade que ela administra… É ela que administra?

Justo a senhora, querida alcaidessa? Tão católica, tão apostólica, tão romana, mas nem um pouco campineira!

Pregado no poste: “Cuidado Lula! O mês de agosto vai começar!”

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