Dona Izalene, é o fim do mundo!

Quando começou a badalação do dicionário do Aurélio, começou, também, a infalível procura por palavras ausentes – até descobriram que ele havia se esquecido das telefonistas. Naquele tempo, a Isabel, a Sirleide e a Marli, aqui desta nossa casa, ainda não eram telefonistas, se não, ele ia ver como é bom acordar às cinco da matina com a bronca de uma delas na orelha.

Agora, fui atrás de algumas palavrinhas corriqueiras para nós, principalmente de Campinas, e a turma que faz o Aurélio se esqueceu, veja você!, de colocar lá tubaína, vanete, sodinha, soda-limonada (com hífen ou sem), gengibirra – essa é aquela de Santa Bárbara d’Oeste, que anuncia “boa pra arrotar!”, lembra? Só existe a palavra “jinjibirra”. Você acha que se alguém tomar jinjibirra com “j” vai arrotar? Plastrame também não existe no Aurélio: é aquele araminho de plástico que amarra a embalagem do pão de fôrma (araminho de plástico existe?).

O Aurélio também não pôs lá o crústule (se comesse o que minha avó fazia, acabava mais gordo do que o Roberto Godoy. Também se esqueceu dos fios de ovos e do mantecau (ou mantecal?). Buchinho nem buxinho – onde ele quarava a roupa?

Por misericórdia, dona Izalene! Veja o que aconteceu. Vou explicar para aquela sua amiga também: este livro é um dicionário. Procure aí “Campinas”. Como? Sim, é com “c”. Viram, queridas? Campinas já sumiu do dicionário, singela flor da minha alma! Ai Jizuis. Agora, em ordem alfabética (a, e, i, o, u, não; é a, b, c, d…), a senhora vai encontrar outras cidades no Aurélio, mas Campinas foi-se: Americana, Amparo, Extrema, Itu, Jacuba (é o nome antigo de Hortolândia), Jundiaí, Leme, Limeira, Louveira, Matão, Pedreira, Piracicaba (Cecílio, pare de rir, que ela acha ruim cocê), Salto, São Pedro, Socorro, Sumaré, Vinhedo… Estão lá. O que a senhora diz desse sumiço? Olha, não adianta ir ao Houaiss, que também não está. Onde a senhora botou Campinas? Se continuar desse jeito, no fim do mandato, terá sumido até do mapa, anjo bom de nossa urbe!

Agora, oh dádiva de Valinhos!, descobri, feliz da vida, que resta uma esperança. Os campineiros ainda estamos lá nos dois dicionários, quietinhos, quietinhos, sem fazer alarde, se não, a senhora bota a gente para correr, também. Todos esperando as eleições. E daí, a senhora verá quem vai desaparecer; não dos dicionários, mas de Campinas!

Ler dicionário permite muitas brincadeiras, oh adorável padroeira da cidade desaparecida!

Pregado no poste: “Campinas é com ‘C’ de coragem. E de Cultura”

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