‘Don Masino’

Ele ganhou esse apelido no Brasil, porque, nesta terra, seu sobrenome é palavrão. Em Portugal, nos anos 50s, havia um general, Martins Vaz, xará do mafioso, que tinha o mesmo palavrão no nome! Claro, esse nunca veio pra cá. Já pensou, na hora das apresentações? “Senhor e senhora B… Martins Vaz.”. Sai debaixo.

Quando o então delegado Romeu Tuma prendeu Tommaso Buscetta, num apartamento no bairro de Moema, em São Paulo, foi um drama para os repórteres de rádio e televisão anunciar seu nome nos noticiários. E ninguém podia deixar de noticiar, porque se tratava de um lendário chefe da máfia italiana, que vivia escondido no Brasil havia quinze anos, casado com uma brasileira. Até ser extraditado, todos hesitavam na hora de dizer o nome desse bandido diante do microfone.

(É fogo. Uma vez, a Polícia Federal apreendeu uma embarcação que servia, ao mesmo tempo, de boate e prostíbulo em Corumbá. Um jornal de Campo Grande deu a seguinte manchete: “Polícia apreende barco de piranhas”. Distraído, o apresentador de um telejornal lia as manchetes dos jornais da cidade, empacou nessa, caiu na gargalhada e não conseguiu levar o jornal adiante.)

Don Masino morreu há uma semana, nos Estados Unidos. Aqui, viveu em Marília, no interior de São Paulo, e depois na Capital, sempre camuflado por algumas plásticas. E foi por ter vivido neste País que ele inspirou um personagem mafioso do Jô Soares. Sim, porque depois de conhecer tanta molecagem que se faz aqui, decidiu quebrar o mais sagrado princípio da máfia, a “omertá”, o segredo das relações sempre inescrupulosas entre mafiosos. Preso e levado para os EUA, entregou todo mundo. Desmantelou a máfia, desencadeou a “operação mãos limpas” na Itália e fez com que muitos de seus cúmplices, amigos e inimigos das “famíglias”, promotores, magistrados e políticos fossem presos ou assassinados por “vendetta”.

Enquanto isso, o “mafioso” do Jô esbravejava: “Eu falei! Não leva a máfia pro Brasil, que ela acaba!”. Quase acabou lá, mas aqui, vingou e está em todos os cantos. ‘Don Masino’ deixou discípulos. Muitos, que a gente só descobre depois, até nos pedem votos.

Pregado no poste: “Don Masino vai ser doutor in memoriam?”

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