Do porta-jóia à banca do camelô

“Eu tinha sete anos e, como toda criança dos anos 60s, sabia quase nada. O pouco era graças ao ouvido colado atrás das portas… Que feio!  Mas era o único modo de saber das coisas.

A ‘xeretice’ ultrapassava os limites das gavetas, armários, cômodas e guarda-roupas. Certa vez, encontrei um broche na forma de uma vassourinha dourada nas coisas da minha mãe. Lindo! As meninas de minha classe iam morrer de inveja! Guardei-o nas minhas coisas e durante um velório em que acompanhei meus pais, coloquei o brochinho na gola da camisa branca e saí toda vaidosa! Ninguém reparou nele; ainda bem. Naquela época, só se dizia:

— Olhe, como ela cresceu! Elogio sempre acompanhado com um aperto nas bochechas.

Na volta, notei que meu pai olhava atentamente para a minha camisa. Pensei: ‘Será que ele gostou de minha vassourinha também?’

Que nada! Quase apanhei de cinta! A vassourinha era o símbolo da campanha de Jânio Quadros, a presidente da República.

Ora, como eu ia saber disso? Que a minha linda vassourinha pertencia a Jânio, um homem um tanto esquisito? Ou que aquele alfinete com um tratorzinho era de JK? Sem contar que um certo marechal Lott, ministro da Guerra e candidato à Presidência, na época de Jânio, tinha como símbolo uma espadinha. E pensar que hoje, o símbolo do PT, aquela estrelinha vermelha, é encontrada em qualquer camelô da Treze de Maio…

Só me restou devolvê-la ao porta-jóia de minha mãe e chorar. O que esse Jânio tem com a minha vassourinha? Gritei, indignada. Só Deus sabia…

A vida é bela mesmo na inocência.”

Relato da Nadja Prado, filha do legendário seu, meu, nosso Alo, dono da cantina do colégio Culto à Ciência. Gente maravilhosa.

Coincidência: fuçando na rede mundial, descobri, no mesmo dia, o inventor da famosa vassourinha que fez o Alo, em boa hora, estrilar com a filha. É o Brancato Júnior, um dos pioneiros da TV, agora, firme e forte, na Rede Vida.

Você ainda guarda na gaveta (e na memória) os símbolos dos políticos?      O do Luís Signorelli era o coração. Do seo Miguel Cury, a andorinha, e do seu adversário, professor Carvalhaes, o estilingue. Carvalho Pinto, claro, um pinto, mas de cartola – UDN, uai! O do A. de Barros era o trevo, até virar o galo contra o pinto do Carvalho. Auro Moura Andrade apostava na peneira, e Pedro Geraldo Costa, na pedra (“Pedra no buraco, Pedro na Prefeitura”). Hugo Borghi? Marmita. Faria Lima acreditava na pá e na rosa, e o José Bonifácio Coutinho Nogueira, na chave. O do PC do B ainda é foice e martelo e o do PT, estrela, ou tucano, depende do momento, palavras e obras…

Pregado no poste: “O símbolo da dona Izalene não será CD de camelô”

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