Do Giovanetti ao Salim

Este passeio também pode se chamar “Do Giovanetti II ao deserto”. É a paisagem vista pelos passageiros do bonde 10, que saía, primeiro da Rua Sacramento, e depois, a partir de 1956, da Dr. Quirino, rumo ao bairro do Castelo, no alto do Chapadão. Nos tempos do bonde, a praça que rodeava a torre da velha caixa d’água era toda arborizada. Depois, um certo seo Pagano inventou de embelezá-la e dela tirou o que havia de mais bonito.

Ali pelas bandas da dona Libânia e Major Sólon confundiam-se as linhas do Castelo, Taquaral (4), Alecrins (13) e Boa Esperança (14).

O 10 era o bonde dos alunos do Ateneu. Na Sacramento e adjacências, ficava o cursinho pré-vestibular Adolfo Lutz, dos alunos da Medicina da Unicamp, a Farmácia do Carmo (fone 9.16.13), a sede do Jóquei Clube e a igreja do padre Geraldo; na Marechal Deodoro, a entrada do Pátio dos Leões e a extensão da Puccamp. Na Dr. Quirino (?), a tradicional Liga das Senhoras Católicas (o que me fazia pensar que as senhoras protestantes não usavam liga).

Ao cruzar a Orosimbo Maia, o bonde era visto pelo pessoal do Posto Três Avenidas, pelo dr. Nelson Costallat e por dona Bebé Ferrão. Ela, grande mestra, ele, engenheiro ferroviário e pesquisador – fez o relógio de sol que ficava na praça do viaduto do seo Miguel Cury. Nas horas vagas, criava raridades, como o relógio de sol portátil, para se levar no bolso. (Se os egípcios usassem bolso, teriam inventado antes? Duvido!).

Subia a Avenida Brasil, cruzava a Avenida Barão de Itapura e a linha do bonde 3 (Guanabara), tangenciando o sagrado Instituto Agronômico. Na jornada, passava por baixo do pontilhão da companhia Mogiana de Estradas de Ferro e antes da lanchonete e pizzaria Timbó, à direita, os passageiros viam a Fábrica de Tecidos Pluma, da família Vescovi Plaster – um de seus filhos foi modelo para o primeiro uniforme dos alunos do Colégio “Culto à Ciência”, em 1961. O das alunas, décadas antes, fora desenhado por dona Áurea, irmã da mestra Quinita Sampaio. Hoje, no lugar da fábrica está o shopping Jaraguá.

No balão da Timbó, ficou para contar a história a Eletrônica Santa Isabel (“até hoje do sr. José Lapena”, lembra-se Carlos Francisco de Paula Neto, usuário inveterado do 10). Por ali, o bonde pegava a Joana de Gusmão, passava pelo Bosque dos Alemães, Barros Monteiro, subia a Pereira Tangerino e, na última reta, a Oliveira Cardoso, até parar diante do Castelo. Ali ficavam a Torre di Pisa, a Rádio Andorinha, do Vidal Ramos, e na entrada do Castelo, o bar do senhor Salim Murtada e dona Jasmin.

Pregado no poste: “Alguém já ouviu falar em jurista cubano?”

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