Dinheiro na mão é vendaval

Conheço um homem, tão rico quanto humilde, daqueles que vieram de baixo, do cabo da enxada,  e subiu na vida sem jamais se esquecer dos que o ajudaram a crescer. Grande empresário hoje, sua maior preocupação, quando trata de qualquer assunto relacionado às suas empresas, é “com os pequenos”, como ele costuma dizer sempre.

Ele acha, por exemplo, “que deveria ser proibido entregar os milhões da megasena a algum ganhador vítima do salário mínimo. “Esse coitado vai ficar louco; vão tomar tudo dele. É melhor dividir o prêmio entre centenas de companheiros que ele indicar, não entregando a cada um mais de R$ 150 mil, para melhorar de vida.”.

Fala pela própria experiência: “Comprei meu primeiro carro com o suor da roça. Inventei de ir pra Santos, com a mulher. Saímos do sítio e um sobrinho que morava em São Paulo me levou até perto da via Anchieta. Ele indicou o resto do caminho e eu me perdi na primeira praça que encontrei. Não conseguia sair dali, só dava voltas. Entramos numa pensão, que apareceu de repente à nossa frente, e eu passei a noite acordado, pensando em como voltar pro meu sítio. Praia, só conheci dez anos depois.”.

Quando conseguiu chegar em casa, o irmão o chamou de burro. “Mas esse irmão, matuto como eu, também tentou conhecer a praia. Fez diferente. Em São Paulo, contratou um táxi para ir à frente, enquanto ele seguia atrás, com a mulher e os filhos. Como garantia de que não iria “fugir”, um filho, menor, foi no táxi. No primeiro semáforo, o sinal fechou, o táxi passou e eles só foram reencontrar o filho e o taxista, todos desesperados, dois dias depois. Voltaram correndo pro sítio, com o rabo entre as pernas. Esse meu irmão morreu sem conhecer a praia. Nunca mais quis sair do sítio.”.

Ele me contou essas histórias no dia em que o jogador Dener, do Vasco da Gama, morreu enforcado pelo cinto de segurança, depois de bater seu carrão importado numa madrugada do Rio de Janeiro.

Pregado no poste: “Hoje é o dia dos Políticos”

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