Descartáveis?

Dona Ancila Banwart, adorável professora de História do Colégio Culto à Ciência, falava normalmente com os alunos sobre  “Ancient Régime”, “Laissez faire, laissez passer”, “Free trade”, “L’Etat ce moi”, “Rissorgimento”, “Aggiornamento”,  “Ayuntamientos e cabildos”, “Édito (ou Edito?) de Nantes”, “L’Esprit des lois”. Ninguém perguntava: “O que quer dizer isso, dona Ancila?” Quem viveu ali aqueles anos mágicos jamais se esquecerá desses termos e, melhor, do que cada um significa.

Nenhum dos nossos mestres de História daquele templo era interrompido para explicar essas expressões: Pedrinho Biassolo, Águeda Sarto de Nucci (sobrinha-neta de São Pio X), Luciano Perrone, Éclair (Pronto! É só falar na musa e já tem marmanjo arrumando o colarinho, alinhando os cabelos, revirando os olhos, suspirando e armando o sorriso 33… Ela merece: está mais linda do que nunca!)’

Pudera! A querida Zilda Rubinski ensinava Latim e Português para uma turma de 11 anos e todos aprendiam (se não aprendessem, ela ia à casa de cada um, para uma conversinha com nossos pais). Podiam falar até em Grego ou Espanhol, que a Maria de Lourdes Ramos estava ali. Francês? Doutora Matilde e Lícia Pettine e Maria Bonjour (um beijo!). Italiano? Maestro Mário Scolari. Inglês? Maria de Lourdes Ramos, Amarílis Pilenso, Jacques Martins e Teresinha Andrez, que já nos deixaram – em lágrimas…

Agora, sai esta aberração no jornal: “A Justiça de Campinas impediu que os vereadores votassem os cinco projetos que tratam sobre o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos. O juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública concedeu liminar a um mandado de segurança impetrado por dois vereadores e determinou a retirada da matéria de pauta.”

Escute aqui, ó dupla “Búfalo & Moreira”: que democratas são vocês, que não conhecem nem a divisão dos poderes, aquela preconizada por Montesquieu, no “Esprit des lois”? Fugiram da escola? Só faziam greve e passeata? São formados em “PPP – Panfleto, Palestra e Palanque?” Se um representante do Poder Legislativo chega à extrema subserviência (ou ignorância) de recorrer ao Poder Judiciário para fazer valer seus desejos (ou instintos?), para que serve o Legislativo? Para que serve vereador?

Em tempo: os políticos é que acabaram com o ensino no Brasil.

Pregado no poste: “Agora, em novas instalações, perto do cemitério, mas o povo tem de pagar”

 

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