Depois daquele beijo

(Antes de começar esta nossa conversa: um cidadão gasta, em média, R$ 100,00 por mês com o celular. A conta mensal do aparelho de um senador é R$ 6 mil. Adivinhe quem paga a do cidadão e a do político. Se vierem pedir seu voto, cobre a diferença.)

O assunto de quinta-feira nas campinas gentis, tão acostumadas às derrotas, não foi a rara vitória do Guarani, sobre o Araguaína. Mas a sensibilidade jornalística do fotógrafo Rodrigo Villalba e a dúvida lançada pelo repórter Warley Batista sobre o motivo daquele beijo trocado pelo casal deitado bem no meio do campo: fantasia ou aposta? Foi no Brinco de Ouro, já à meia-luz dos holofotes, depois que o jogo acabou.

O Lulla pode inaugurar obra inacabada ou o Miguel beijar a Luciana na novela das 8 —  não interessa. A Dilma roubou o cofre do Ademar? A gente não está nem aí. Se o Guarani ganhou ou perdeu aquele prélio, deixe pra lá. O comentário mais comentado da cidade (com licença do saudoso Pedro Luís) foi a foto daquela cena. E, pelo menos pra mim, foi ver com alegria que ainda há repórteres em Campinas. Restam poucos no mundo!

Já aconteceu sapo enterrado no Majestoso; ninho de coruja no campo do Mogiana; rasantes de quero-queros no Brinco; cachorro interrompendo partida nos três; carneiros pastando no… “Pastinho”; invasão de torcedor para bater no juiz ou em jogadores; chispada de peladões e peladonas, só para aparecer; balões de São João caindo bem no ‘caroço do abacate’… Tudo. Mas essa cena, jamais. Ficou bonita, achei eu, apesar do nariz torcido do meu irmão Robert Godoy. Logo, um cineasta ou diretor de novela vai imitá-la.

Bem que o fotógrafo Rodrigo tentou imitar o ‘fotógrafo’ Thomas, vivido pelo ator David Hemmings, no antológico “Blow Up”, de Michelangelo Antonioni. Lembra? Ele descobre, ao ampliar fotos feitas em um parque, um cadáver escondido atrás de uma cerca viva. Foi por pouco. O rapaz e a garota entraram pelo portão da ambulância, mas fugiram logo após o “clic”, em meio à fúria da torcida, que queria pegar os jogadores. Preferiram não virar celebridades – nem cadáveres…

Pregado no poste: “Depois da venda do estádio, o lugar será um motel?”

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