De novo

Sábado, 17 de novembro de 1963, uma da tarde: a jovem comerciária Vilma Pereira Bueno, 15 anos, esperava o ônibus da Vila Nova, na Avenida Campos Salles, altura de Senador Saraiva. De repente, um carro entra na avenida. Dentro, quatro “playboys”. Um deles atira uma corda e laça Vilma. Ela foi arrastada por 15 metros. Milagrosamente, conseguiu livrar-se da forca. Espanto, gritos.

Numa viatura da extinta Força Pública, os “praças” Masotti, Gildo e Barduco perseguem os “boyzinhos”, até caçá-los na Avenida Anchieta, perto do Cine Voga. Diante do delegado A. C. Toledo Neto e do escrivão Arcimar Perina, Marcos César Seabra Mattos, Adilson Alvarenga, o “Grilo”, Nelson (ou Newton?) Brasil Leite, o “Ameba”, e o menor L.F.E.R. trocam acusações. No exame de corpo de delito, a traumatizada Vilma não sabia o que dizer para o médico-legista Rodolfo di Tella. Nascera de novo, toda machucada.

A nossa Rádio Brasil, que nunca perde uma, fez esse crime abalar o Brasil. Na noite daquele sábado, Santos e Milan decidiriam no Maracanã o campeonato mundial interclubes. (Sem Pelé e com Almir dopado, o Santos foi bicampeão.) José “Bolão”  Sidney estava lá para transmitir a vitória. Comentou aquela vergonha com colegas da Rádio Continental do Rio de Janeiro e da Nacional, com informações da Brasil. O país inteiro ficou sabendo. Heron Domingues deu no Repórter Esso.

Sábado 4 de agosto de 2001, uma da mnhã: a atriz Lígia Carla Marco, 20 anos, morreu em um acidente brutal ontem à 1h. Um Monza, ano 85, que trafegava no sentido bairro-centro pela Avenida Prestes Maia, bateu na traseira da moto que Lígia ocupava na altura do Hotel Nacional Inn, entrada de Campinas. A atriz, que estava na garupa, ficou presa debaixo do Monza e foi arrastada, em alta velocidade, por mais de cinco quilômetros, até o Bosque dos Jequitibás. O corpo de Lígia ficou totalmente mutilado. A moto era pilotada por Fábio Brito Cador, 20 anos, namorado de Lígia, que passa bem. A Polícia Militar prendeu em flagrante o serralheiro Valdenei da Silva,  30 anos, que dirigia o Monza, e o ajudante de marcenaria Marcelo Rodrigues de Souza, 20 anos, que também estava no veículo. No carro foram encontradas cinco latas de cerveja fechadas e uma porção de maconha.

Pregado no poste: “Na porta do Primeiro Mundo, o Brasil: capacho.”

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