De hoje e de ontem

Qual a principal atividade dos campineiros hoje?

Fugir de bandido; rezar para não ser assaltado nem morrer; se ficar doente, pedir a Deus que haja médicos no posto de saúde; saber qual a categoria de trabalhadores em pé de guerra com seo Pagano; jamais se esquecer do nome dos vereadores envolvidos em escândalos; torcer para que seu filho tenha vaga na escola no ano que vem; defender que é justo mais vagas nas escolas do que vagas nas câmaras; sonhar com um carro invisível para driblar os radares; não ser seqüestrado; apostar em que dia vai cair a primeira chuva; lutar por um assento no ônibus; combater o vandalismo no Parque Monsenhor Salim; fazer turismo de alto risco, passeando pelo Centro; procurar uma (pelo menos uma) notícia boa nos jornais; testar os nervos usando o celular; fazer promessa para que ninguém se reeleja nas próximas eleições; eletrificar o muro da casa; vender ovos e bandeiras quando o Covas e o Serra visitarem a cidade… Qual?

Mas há preocupações mais leves: ver se plantaram uma alecrim no Largo da Catedral; adivinhar a próxima receita do Vicentão no “Terra da Gente”; pedir que a propaganda política seja transmitida apenas pelo canal do esgoto; escolher entre Ponte, Guarani ou Campinas; paquerar a bilheteira do pedágio, para ver se a viagem sai de graça; mandar rezar uma missa em ação de graças, porque seo Pagano desistiu da reeleição; lembrar-se dos tempos em que o Bristol e o Carlos Gomes não cobravam dízimo, só ingresso; ver o que as meninas do Jardim Itatinga acham da campanha da CNBB contra a camisinha (lançada ali pertinho — em Itaicí — e elas nem foram convidadas); perguntar aos professores o que eles acham do salário dos vereadores (mas cuidado para não apanhar)…

Sabe o que os campineiros faziam exatamente cem anos atrás? Deu no jornal: “A Intendência (Prefeitura) vai começar a guerra contra os ratos, pagando 200 réis por cada um que fôr apresentado na repartição municipal.”. É caçar e cassar.

Pregado no poste: “Diga não às drogas. Pense bem antes de votar.”

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