Dá-lhe mulheres!

Meyre ‘La Fênix’ Raquel Tosi  manda dizer:

“Rita Levi-Montalcini, 98 anos, neurocirurgiã, Nobel de Medicina há 21 anos, nasceu em Turim. Por ser judia, fugiu da Itália pouco antes da II Guerra, para os EUA. Em 1951, no Instituo de Biofísica da Universidade do Rio de Janeiro, identificou o fator de crescimento das células nervosas. Pela descoberta, levou Nobel, junto com Stanley Cohen.

— Como vai celebrar seus 100 anos?

— Não sei se viverei até lá e não gosto de celebrações.

— E o que você faz?

— Trabalho para dar bolsas de estudos para meninas africanas, para que estudem e prosperem. E continuo a pesquisar, a pensar.

— Não vai se aposentar?

— Jamais! Aposentar-se é destruir o cérebro!

— E como ele está?

— Igual quando tinha 20 anos! O corpo se enruga, é inevitável, mas não o cérebro!

– Como faz isso?

— Possuímos grande plasticidade neural: quando morrem neurônios, os que restam reorganizam-se para manter as mesmas funções; para isso é conveniente estimulá-los! Mantenha seu cérebro com ilusões, ativo. Trabalhe e ele nunca se degenerará. A chave é manter curiosidades, empenho, ter paixões…

— A sua é a investigação cientifica.

— Sim e continua a ser.

— Como uma garota italiana dos anos vinte se tornou neurocientista?

— Não tive infância feliz: sentia-me feia, tonta e pouca coisa… Meus irmãos mais velhos eram muito brilhantes e eu me sentia inferior.

— Isso foi um estímulo?

— Meu estimulo foi também o exemplo do médico Albert Schweitzer, que tratava leprosos na África. Desejo ajudar os que sofrem, Esse era é meu grande sonho!

— A religião freia o conhecimento?

— Às vezes, ela marginaliza a mulher, afastando-a do saber, mas algumas religiões já tentam se corrigir.

— Há diferença entre o cérebro do homem e o da mulher?

— Só nas funções ligadas às emoções; quanto às funções cognitivas, não.

— Porque ainda há poucas cientistas?

— Não é assim! Muitos descobrimentos científicos atribuídos a homens, são de suas irmãs, esposas e filhas. É que a inteligência feminina não era admitida, ficava à sombra. Hoje, há mais mulheres que homens na pesquisa científica.

— Como explica a loucura nazista?

— Hitler e Mussolini souberam como falar ao povo, onde sempre prevalece o cérebro emocional por cima do neocortical, o intelectual. Conduziram emoções, não razões!

— Isto acontece agora?

— Por que acha que muitas escolas nos EUA ensinam o criacionismo e não o evolucionismo?

— A ideologia é emoção, é sem razão?

— A razão é filha da imperfeição. Nos invertebrados, tudo está programado: são perfeitos. Em nós, não. Ao sermos imperfeitos, temos recorrido à razão, aos valores éticos: discernir entre o bem e o mal é o mais alto grau da evolução darwiniana!

— O que faria hoje se tivesse 20 anos?

— Mas eu estou fazendo!

Rita Levi-Montalcini é senadora vitalícia desde 2001.”

Pregado no poste: “Ah se tivéssemos pelo menos uma senadora assim!”

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