D. Aline e d. Tuca,

Li no “Correio do Leitor” (e da leitora) a santa revolta de tão distintas senhoras, fazendo coro ao reclamo do jornalista Bruno Ribeiro contra os vândalos que freqüentam salas de cinema em Campinas. De fato, eles levam pipoca e refrigerante lá para dentro, a fim de alimentar seus semelhantes, ratos e baratas, que vivem dos restos deixados pelos humanos de ascendência suína.

Ou nenhuma das senhoras foi surpreendida na vida por aqueles adoráveis bichinhos subindo-lhes pelas pernas em meio à sessão? Um horror, pior do que sessão de descarrego — aliás, essa é a mais nova atração em antigas salas transformadas em pontos caça-níqueis. Devem até conservar as bilheterias, onde agora se vendem ingressos para o Céu – crianças não pagam meia. Ali, “Golpe de Mestre” é exibição diária e obrigatória. Amém?

Dizem que até milagre acontece. E não é durante a exibição de “O manto sagrado”, infalível programa da Semana Santa. Mas jamais se viu algum perneta sair correndo. Isso seria um milagre.

Voltando ao que chamam de cinema: celulares e o trepidante som dolbi-histérico, com alto-falantes (bem altos) instalados inclusive nos banheiros, seguem a mesma linha. Enquanto o povo lá fora deveria pichar: “Não grite! Deus não é surdo!”

Distintas amigas, informo e esclareço: não há o que fazer. As senhoras pensam que as salas se sustentam com o dinheiro arrecadado nas bilheterias? Nem pensem. Assim como não são os passageiros que bancam as linhas aéreas. E por falta deles é que os trens só transportam carga.

É isso mesmo que as senhoras estão a pensar. Quem paga as despesas é a pipoca! Não se assustem. Aqui, não sei quanto. Mas na matriz, que tem mania de pesquisar tudo, 70% da renda de uma sala é bancada pela banda “Pipoca e seus piruás”. Se o filme é ruim – nem precisa ser brasileiro – entram na sala com abacaxis, em homenagem à obra.

Por essas e outras, o último filme a que assisti num cinema foi “O pagador de promessas” No extinto ‘Carlos Gomes’, sem a companhia de ratos ou baratas. Em vez de pipoca e refrigerante, o sabor era Glória Menezes e Norma Bengell. E quem pagou (a promessa) foi Leonardo Villar, não o público.

         Pregado no poste: “Lulla e Bush só podiam falar de álcool”

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