Compareça ao balcão

Você se lembra do Hélio Ribeiro? Ele marcou o rádio de São Paulo, levando seu “Correspondente Musical, com informes melódicos do Brasil e do mundo” em várias emissoras, entre 1963 e 1980. Era o vozeirão que saudava a misteriosa “moça do Karman Ghia vermelho”. Quem seria ela? “Sabe quem? Sabe quem? Sabe quem?”. Ele nunca revelou. Agora, você se lembra, não é? Grande Hélio! Revolucionou o rádio. Vaidoso, genial e genioso (também), como ele só! Tem, ainda hoje, imitadores no Brasil inteiro. Ganhou até um personagem do Chico Anysio, o “locutor” Roberval Taylor. Tão misteriosa quanto a “moça do Karman Ghia Vermelho” é a verdadeira identidade do Hélio. Qual seria seu verdadeiro nome?

Conta meu amigo Renato Lombardi, companheiro de sempre do Hélio na Rádio Bandeirantes, que ele vive há tempos nos Estados Unidos, no estado de New Jersey. “Está bem o Hélio”, emenda outro grande repórter, o Mauro “Mug” Carvalho da Silva. Um dia eu conto aqui histórias dessas duas “peças” da imprensa mundial. Só uma dica: o Lombardi é um repórter de polícia tão bom, que um dia, dona Teresa Flora (aquela santa que mora aqui em casa) foi assaltada em São Paulo e ele ficou sabendo antes dela. Essa façanha entrou para a história da imprensa paulistana.

Pois fui me lembrar do Hélio semana passada, no Arquivo Municipal de Franca. Encontrei lá uma publicação – Enciclopédia dos Municípios Brasileiros – editada pelo IBGE em 1957. Campinas está lá, como uma grande cidade, “que tinha 152 mil habitantes no censo de 1950 mas ficou com 136 mil após o desmembramento dos distritos de Sumaré e Valinhos”.

O que me chamou a atenção foi o nome das agências bancárias que havia aqui. Veja se você se lembra de pelo menos duas ou três: Banco Arthur Scatena, Bandeirantes do Comércio, Banco do Brasil, Brasileiro de Descontos, Brasileiro para a América do Sul, Comercial do Estado de S. Paulo, Comércio e Indústria de S. Paulo, Banco da Bahia, Banespa, Federal de Crédito, Francês e Italiano para a América do Sul, Hipotecário Lar Brasileiro, Ítalo Belga, Banco da Lavoura de Minas Gerais, Mercantil de S. Paulo, Moreira Salles, Nacional da Cidade de S. Paulo, Nacional Paulista, Noroeste, Paulista do Comércio, Planalto de S. Paulo, Banco Segurança e Banco de S. Paulo. Eles se esqueceram do Banco Inco, de Santa Catarina, com agência ali na frente da estátua do Carlos Gomes. Banquinho esquisito, aquele. Quem tinha conta lá? Ah! Era você!

Naquele tempo, não havia caixa automático e nada de ir direto ao caixa descontar o cheque. O cliente recebia uma ficha de metal com um número e aguardava ser chamado ao guichê. Tudo manual. Uma demora infernal – como hoje. Apesar das “modernagens”, a demora é ainda maior. Quando alguém tinha de descontar uma duplicata ou promissória, ficava esperando o caixa chamar a pessoa pelo nome. E foi pensando nesse martírio que me veio a lembrança do Hélio Ribeiro.

Certa vez, ele mandou o Mauro “Mug” descontar um título para ele num banco, logo de manhã. E o “Mug” só voltou no fim da tarde. Veio com a seguinte explicação, antes que o Hélio explodisse, como era seu costume: “Pô! Fiquei o tempo inteiro esperando a moça chamar seu nome e nada. Só quando restava a última ficha eu vi que era a sua. Custava você me dizer que seu nome não é Hélio Ribeiro, mas João Magnoli?”

Pregado no poste: “O ‘líder’ da ‘oposição’ fugiu da crise no colinho do Pinochet de Cuba?”

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