Com certeza! Que pobreza!

Com certeza, “com certeza” é a nova praga da língua portuguesa, com certeza.

Entrevistados de rádio e televisão não sabem mais começar uma resposta sem dizer “com certeza”. Ás vezes, é só isso que conseguem dizer. Todos se esqueceram de que nesta última Flor do Lácio  existe a palavra “sim”. Talvez, pensem que “sim” é a tradução para o Inglês do Português “yes”… Antes, a expressão favorita era “sem dúvida nenhuma”. (Dói confessar, mas os entrevistadores também embarcaram nessa e é o que mais se ouve e se vê).

Pior: a praga se alastra e já contamina quem escreve para jornais e revistas. E aí, o estrago é total. O texto fica inchado de palavras desnecessárias, como outras que devem irritar o leitor, o ouvinte, o telespectador. Ou você já não se cansou de ler, ver e ouvir: na verdade; de modo geral; tudo bem; é isso aí; a conquista desse espaço (serve tanto para candidato atrás de uma boquinha, como conversa mole para enganar invasor de terra); a questão que se coloca (essa pulou das aulas de sociologia para os debates em diretórios acadêmicos); sociedade civil organizada (a favorita de políticos medíocres – redundância –, animadores de manifestações públicas e coitados formados só à base de PPP — panfleto, palestra e palanque.).

Outras que vêm chegando com força são “meio” e “um pouco”, ora juntas, ora separadas. Artistas metidos a intelectuais de boteco já abusam delas, principalmente em alguns programas (verdade!) da sempre boa TV Cultura e da quase sempre boa MTV (quando ela não transmite só barulho). Quando tentam, desesperadamente, encontrar palavras para definir sua obra, resumem a um “Meu trabalho é meio que assim um pouco demais para o lado social… Você entendeu?” Há uma praga, também, que já disseminou. É o “Você”, que fica ridículo, principalmente quando “a” entrevistada diz para “o” repórter: “Quando você não engravida e você menstrua, frustra a expectativa para ganhar o seu bebê.” E ele concorda. Os dois nem percebem quanta besteira estão mandando para o ar. É o Brasil, descendo a ladeira. Há 500 anos.

Pregado no poste: “Já viu, né, bicho? Falô.”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *