Cochilo

Como dizia mestre Mário Erbolato, filho espiritual de Gutemberg, o inventor da imprensa, “repórter é repórter 24 horas, dorme com um olho no peixe, outro no gato e aquele na notícia, não necessariamente nessa mesma ordem”. A Polícia Federal mandou, por escrito, para a imprensa desta região de Ribeirão Preto a notícia da prisão de cinco fraudadores da Previdência Social, “encarregados” de aplicar golpes em todo o estado de São Paulo. Mas o melhor da notícia estava perdido lá no quinto parágrafo; agora, a notícia deixa de ser a prisão dos bandidos para ser o cochilo dos jornalistas.

Essa é melhor do que aquela do burocrata da prefeitura que alugou um terno para vestir o defunto jardineiro, figura tão querida quanto pobre daquela cidade. Todo mês chegava a conta do aluguel do terno. E olhem que demorou para o chefe de gabinete acordar para a burrada…

Esta do INSS aconteceu aqui ao lado, na riquíssima cidade de Orlândia. Diz o que chamamos nas redações de “press release” da PF: “…o próprio INSS identificou semelhança de requerimentos com o uso de documentos pessoais expedidos todos com datas recentes, o que denotava possível uso de documentos falsos. A Polícia Federal esperou que os integrantes da quadrilha se apresentassem à agência, quando foram presos nesse exato momento.”.

O melhor da história vem agora e passou despercebido por pelo menos vinte editores de jornais escritos, falados, televisados e internetados destas bandas. Ria: “Na posse de um dos presos, foi encontrada uma Carteira de Habilitação com sua foto, mas com nome de outra pessoa. O preso afirmou aos policiais federais que se tratava de seu irmão gêmeo. Indagado porque, então, a filiação constante no documento era diferente da sua, o preso afirmou que se tratava de seu irmão gêmeo adotado.”.

Jornalistas modernos, desacostumados ao saudável hábito da leitura, pararam no quarto parágrafo do comunicado e perderam aquela saborosa informação nele contida. Gêmeo adotado é uma desculpa que nem o mais refinado malandro carioca pensou ainda. Tão gaiata, que meu amigo Ancelmo Gois, d’O Globo, está rindo até agora. Como riu daquela deputada federal Aline Correia, que discursou na Câmara dizendo que Zequinha de Abreu foi o compositor de “Tico e Teco no Fubá.”.

Soube da história com meu preclaro colega Antônio Carlos Morandini, 54 anos de rádio, aos berros no microfone: “Gêmeo adotado!? Gêmeo adotado!?” Morandini não dorme, não fecha os olhos jamais! Por isso, a cidade acorda com ele.

Pregado no poste: “Políticos não querem voto de preso para não descobrirmos que facção os apóia”

 

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