“Centro de Inconveniência”

Tem gente doente até hoje. São as vítimas do Centro de Convivência que assistiram à Semana Espanhola. Fosse o arquiteto Fábio Penteado, eu pediria a obra de volta e só voltaria lá quando algum administrador honesto devolver à população de Campinas tudo reformado, de acordo com o projeto original. É a única forma de o campineiro entrar e sair seguro daquele lugar.

Uma freqüentadora indignada ligou com voz ainda rouca e horrorizada: “Desconfio de que já estejam se formando estalactites. A infiltração deixou escorrer água suja sobre os equipamentos de som e nas obras de arte da vernissage da Semana!” A voz rouca, às vezes sumindo, era por conta do ar-condicionado que há tempos deve estar desregulado e sujo. O mal atacou a cantora Darcy Germano, que exibiu sua arte no vento.

(Sem querer ser agourento, lembro-me de que o Sérgio Motta, também conhecido como ‘FHC-II’, morreu vítima de sujeira nesse aparelho. Como dor de barriga não dá uma vez só, recomendo que enquanto o Centro de Convivência não estiver como o dr. Fábio projetou, ninguém mais entre lá. É risco de morte!)

Esta veneranda senhora, mais campineira do que distintivo da Ponte e do Guarani, tanto quanto Carlos Gomes e Roberto Godoy, e muito mais do que os bem-vindos mato-grossenses-do-sul, alerta que por muito menos, o Teatro Castro Mendes foi interditado. Ela viu uma artista reclamar: enquanto se banhava, era água de chuveiro na cabeça e esgoto vazando nos pés.

Falou sobre uma maquete, há tempos idealizada para abrigar um teatro na tal Pedreira. Sugeri que as companhias teatrais e orquestras sejam levadas a se apresentar na maquete. Porque as promessas para um teatro digno em Campinas, cada prefeito que entra e sai (ou entra e fica) garante que “agora sai”…

Do alto de sua sabedoria, esta senhora define bem que o descalabro é fruto da diferença: campineiro sabe construir, outros, saquear. “Mas isso é apenas conseqüência do que aprendem em casa. E você já pensou como deve ser na casa deles?”

Seo dr. Hélio, o entorno do prédio do Jóquei, ficou lindo – por ironia do destino, junto à estátua do maestro. Mas o que ele quer é um teatro. Os holofotes são para depois da obra pronta.

Pregado no poste: “Maestro, o senhor sabe o que fazer com sua batuta. Portanto…”

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *