Castelo de despejo

O coitado do Castelo virou a casa da mãe Joana. E não é de hoje. O repórter Rogério Verzignasse, caipira desde que veio ao mundo (dizem que nasceu pitando um cigarrinho de palha), contou mais uma: o desrespeito com o acervo do Museu da Sanasa (Empresa pública que ainda não virou privada, mas parece.). Ele mostrou uma seqüência de descasos com o único ponto da cidade que, talvez, todos viventes em Campinas conheçam, além da Catedral, aquele templo majestoso que ficava na frente do alecrim. A cidade é linda vista do Castelo.

Sofreu tantas intervenções, que hoje parece rodeado por um deserto, magnificamente implantado por seu Pagano. (Como vai, seo Pagano? Que saudade! Que seo Toninho não nos ouça…). O Rogério só não contou que em 1965, um ano depois da “redentora”, com medo dos militares, era bom bajular quem vestisse farda – na dúvida, até porteiro de circo era melhor tratado naquele tempo. O marechal Castello Branco, primeiro representante da ditadura, veio a Campinas. Desfilou em carro aberto pela Campos Salles, acompanhado do senador Carvalho Pinto e do prefeito Ruy Novaes. Sabe o que o prefeito Ruy Novaes mandou fazer? Já adivinhou, né? Isso mesmo: pintou aquele castelo de branco. Não é uma graça?

Hoje, nossa cidade é administrada por um respeitával arquiteto que, pelo menos até ser eleito, era muito preocupado e zeloso com o patrimônio histórico. Para instalar uma estação de rádio “educativa” no alto da velha caixa d’água idealizada por Prestes Maia, jogaram às traças o valioso acervo do museu da Sanasa. E ainda proibiram o Nerilveton Araújo de fotografar as vergonhas da administração – prova de que fazem a coisa errada.

Em troca, o Nerivelton produziu uma obra de arte — aquela fotografia com o castelo ao fundo e uma placa na frente, implorando; “Não jogue lixo”. Não falta mais nada para fazerem do nosso castelo uma lata de lixo. Que se dane o direito do povo saber como tratam seu patrimônio. Uma rádio educativa que nasce desrespeitando o acervo de um museu…

Seo Toinho, tão sabotando o senhor.

Pregado no poste: “Que ninguém rode bolsinha no bolsão residencial.”

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