Casório no forno

Ainda não fui. Jurei que não ia. Se não for, será uma afronta. Mas se for, não sei se chego; se chegar, não sei se consigo voltar. “É o calooor! Que cozinha a minha cabeça e me queima assim; que faz eu assar sem ferver e aquecer o meu rim; que faz eu pensar que as fritas são feitas pra refrescar… É o calooor!…”

Passei um ano em Campo Grande e nunca saí de lá – nem para trazer muamba de Pedro Juan Caballero; conhecer o Pantanal ou pisar na Bolívia via Corumbá. Corumbá? Ouça o desabafo de um amigo que vive lá: “Nossa! Ontem à tarde, matei 123 mosquitos na cozinha da casa da minha mãe…”. Dizem que a muamba de Pedro Juan é genuína, em contraste com a de Ciudad de Leste, toda falsa. O Pantanal é lindo – pelo menos, semana sim, semana não, pode ficar tranqüilo, ele aparece no “Globo Repórter”, aquele programa que adora mostrar só bichos, crianças e doenças. E como mostra bem!

Parece que depois que separaram os matos grossos, o do norte ficou mais quente. Quente, seco e empoeirado. Tanta poeira, que a gente cospe tijolo pronto. Galinha bota ovo cozido; vaca dá leite condensado; bezerro nasce no espeto; panela de pressão não precisa de tampa e milho dá em pipoca na espiga. Todo mundo já nasce “bem passado”. Por isso, Campo Grande é a “Cidade Morena”. Mas essa é a parte bonita da história.

Quando o circo desfila, camelo vem de leque.

Dá faniquito quando o Ciro Porto manda o pessoal do ‘Terra da Gente’ pescar em Mato Grosso. A Maraísa Ribeiro, coitada, me aparece mais embrulhada em panos do que a múmia de Tutancamon ou cortadora de cana – e aquele calorão em volta. Tudo para fugir dos mosquitos. Ô Ciro! Não tem jeito de ela pescar dentro d’água? É mais fresquinho… O quê!? Cozinha? Maraísa refogada, não!

Contam por ali que o calor dá tanta moleza, que quando o marechal Rondon armou a expedição, levou índios gaúchos, porque os de lá são muito moles. Se baiano é lento, cuiabano é parado. Estavam dois sentados na beira da calçada tomando tererê; bateu o vento e uma nota de 100 esvoaçou. Um disse: “Se o vento mudar de rumo, ganhamos o dia!”.

Certo é que um afilhado se casa em Rondonópolis esta semana. Pedi que ele me representasse na cerimônia, mas ele garantiu que o casório será numa tribo e o traje dos convidados será “pelado a rigor”. Então, eu vou.

Pregado no poste: “Para que Daslu, se Deus fez todo mundo pelado?”

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