Careca Futebol Clube

Os torcedores da Ponte Preta são pontepretanos; os do Guarani, bugrinos. E os do “Campinas Esporte Clube”, que o Careca está fundando agora? Serão “carecanos” ou “carequinos”? O Bugre é alviverde e a “macaca”, alvinegra. A camisa do “Campinas”, anuncia o nosso Careca, será preta, branca e verde. E aí, como os locutores de rádio chamarão esse novo esquadrão? Alvinegro esmeraldino? Tricolor das esmeraldas? Alviverde negro?

No Paraná, havia um time chamado Água Verde. O Joelmir Betting informou assim, no rádio: “Adentra a cancha a esquadra hidro-esmeraldina”.

O Careca diz que não é nada disso. O verde homenageia seu coração, bugrino; o preto, seu pai, pontepretano, e o branco, porque é comum aos dois times da cidade. Vamos torcer. Depois de muitos anos, Campinas tenta, outra vez, a existência de um terceiro time profissional de futebol.

Depois que acabaram com o Esporte Clube Mogiana, há quase 40 anos, o Gazeta Esportiva bem que tentou, mas não passou da Terceira Divisão, apesar dos esforços de gente boa, como o Peri, o Piracicaba, o Zé do Pito, o Antônio Campagnone… Hei, “Pira”, onde está o Calunga? Cracão, um dos primeiros brasileiros, se não foi o primeiro, a jogar futebol nos Estados Unidos, há 30 anos!

A Ponte é a macaca, o Guarani é o índio. Qual será o símbolo do time do Careca? Como leva o nome de Campinas… Um jequitibá? Você acha que fica bem, Careca? Como será o “distintivo” do Campinas? Para falar na linguagem moderna, a “logomarca”. E o uniforme? Calção verde, camisa preta e meias brancas? Ou calção branco, camisa listrada em verde e preto, como as meias? E a sigla? C.E.C.? Quer apostar como vão chamar de “Careca Esporte Clube?”

Quem vai torcer pelo Campinas? Ex-torcedores do Mogiana, do Gazeta, os insatisfeitos com o Guarani e com a Ponte ou os novos campineiros, que chegam a todo momento para viver aqui?

Agora, o mais importante: onde serão a sede e o campo do novo clube de futebol da cidade? Que tal tentar o do próprio Mogiana, ali na Rua Cândido Gomide? Esse estádio tem história e, há, pouco, comemoraram os 50 anos da inauguração de suas torres de iluminação. É um dos primeiros do País erguidos com arquibancadas de concreto. Na época, não havia Pacaembu nem Maracanã.? Façanha igual, só os vascaínos, que construíram o “São Januário”. Será que o velho estádio “Horácio Antônio da Costa” vai renascer nas mãos do Careca e nos pés dos futuros craques do Campinas?

Precisamos torcer, também, para que o desafio do Careca não tenha a mesma sorte dos times de ferrovia, já que o Caminas pode se estabelecer no campo do Mogiana. Lembra? Restam poucos, hoje: Noroeste, Ferroviária de Araraquara e o Nacional, de São Paulo, que não tem mais nada a ver com a velha Estrada de Ferro Santos a Jundiaí, sucessora da São Paulo Railway, a “SPR”, que dava nome a esse clube, que tem, até hoje, um gramado impecável.

E os outros? As Ferroviárias de Assis e de Botucatu; o Ferroviário Ituano; o Estrada de Sorocaba; o Mogiana, de Campinas e de Ribeirão Preto… Sumiram, da mesma forma como os trens estão sumindo.

Careca, só agora me dou conta de uma dúvida. Você já imaginou o Campinas crescendo, subindo rápido, como todos desejam, e disputando o campeonato com o Guarani e a Ponte? Numa partida lá no “Brinco de Ouro”, você vai torcer para o “seu” Guarani ou para o “seu” Campinas ?

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