‘Campioneiros’

O primeiro patrocinador de carros de Fórmula Um foi a campineiríssima Companhia Cervejaria Colúmbia, que estampava na ‘fuselagem’ dos bólidos de Chico Landi a marca da Cerveja Mossoró. Ele ganhou duas corridas em Bari. Na primeira, ninguém esperava a vitória de um brasileiro – por isso, nem havia o hino do Brasil para celebrar. Resultado: executaram a música brasileira mais conhecida na Itália naqueles tempos: “O Guarani”, do campineiro Carlos Gomes. Chico, que viveu em Campinas, era paulistano, filho de italiano com ítalo-brasileira. Bird Clemente, outro pioneiro do nosso automobilismo esportivo, contou no Jô Soares: Chico era amigo (amigo, mesmo) de Eugênio Pacelli, que depois virou papa e continuou recebendo Chico no Vaticano para conversar. Um dia, fez do Chico comendador da Santa Sé. (Acho que o grande Bird trocou João XXIII por Pio XII…)

O primeiro carro inteiramente brasileiro também era campineiro, o Centaurus, montado num galpão perto do Liceu e da Forbrasa. O bonitão até foi exposto no II Salão do Automóvel, em 1961. Lembra o repórter Roberto Godoy que foi um sonho de um certo general Maximiano, carioca, então já reformado, e de um engenheiro francês deficiente físico, casado com uma brasileira. A empresa se chamava “Automóveis e Motores Centaurus S.A.”. Fez um jipe, também. Diga, Betão: “Projeto revolucionário, parecido com o modelo ‘Esplanada’, que a Simca Chambord lançou no País anos depois. Veículo cheio de novidades, dois motores (!), câmbio eletro-automático”.

Ari Rocha (conhece?) revela mais um pouco no blog do jornalista santista L. A. Pandini, que pede, a quem souber, mais dados para reconstruir a história do Centaurus: “A maior curiosidade: o carro deveria ser produzido em compensado naval moldado no formato da carroceria, em lugar de chapa metálica ou fibra — daí as formas inusitadas. Foi realizado por um experiente construtor de barcos de madeira, cujo nome não me recordo. Depois, não tive mais notícias.”.

Padini acrescenta: “Todo mundo esperou o lançamento dele no mercado. Em vão, porque a fábrica abandonou o projeto e destruiu o protótipo.”. Roberto Godoy arremata: “O general precisava de sócios, que comprassem cotas do empreendimento. Meu pai foi um dos que acreditaram na iniciativa, porque o carro era muito bom, mas…”

Pregado no poste: “Já saltou no escuro hoje?”

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *