Brasileiro se vira; campineiro, também

Na Revolução de 32, um caipira indeciso, mas vivo (hoje seria caipira tucano) vivia na divisa de São Paulo com Minas, lá pras bandas de Itapira, Eleutério e Jacutinga. Pois não é que ele criava galinhas num sítio de terreiro paulista e poleiro mineiro? A mineirada vinha pelos fundos e comprava frango da mulher, que vigiava o lado de lá. Os paulistas vinham pela frente e compravam dele, que cuidava da porteira. Esse ganhou a revolução.

Em São Paulo, um malandro entrou numa loja da Ladeira Porto Geral e comprou 300 mil cruzeiros (faz tempo isso) em eletrodomésticos. Na hora de pagar, disse ao vendedor: “Você conhece o chinês da pastelaria aí ao lado, não? Então vamos lá comigo, que hoje à tarde, ele vai depositar 600 mil na minha conta e nós combinamos para ele dar os 300 mil pra você, certo?” Certíssimo, não tivesse o pilantra passado antes na pastelaria e encomendado 600 pastéis, para um casamento que nunca houve. Foram lá: “Ei, China! Dos 600 que acertamos, mande 300 para ele aqui, certo?” Quando deu essa notícia na TV Record, há uns quarenta anos, o grande Reali Júnor comentou com o apresentador Vandick de Freitas, do “Record em Notícias”: “Esse não merece ser preso! Merece uma estátua!” Até hoje, o Realinho jura que nunca disse isso…

Lojas Americanas e não me lembro do nome da outra loja iniciaram uma guerra de preços para ver quem vendia o ‘Sonho de Valsa’ mais barato. Um camelô do Mercadão aproveitou a promoção absurda (o bombom que valia CR$ 4 já estava por CR$ 0,50) e encheu as sacolas de bombons. Uma semana depois, vendia na banca por CR$ 3,00. Esse provou que o mundo não é dos ricos, mas dos vivos.

Não acredita? Veja estas duas contadas pelo meu colega Ancelmo Gois, do jeito só dele: “Veja como tem hora em que a luta contra a pirataria parece perdida. O DVD de ‘A Paixão de Cristo’, de Mel Gibson, está sendo vendido por camelôs na Rua Sete de Setembro, no Rio, a R$ 15. Tem cinema na cidade que cobra R$ 13 pelo ingresso. E a Escola Estadual Ioni Siqueira, em Nova Iguaçu, foi demolida para que, no lugar, seja construída outra mais moderna. A Coordenadoria de Educação doou as telhas para comunidades sem recursos.

Até aí, tudo bem. Só que um gaiato pôs uma banca na Rua A e vende cada telha a R$ 20.”.

A esperteza vem de longe. Para combater a peste bubônica no mesmo Rio de Janeiro, o sanitarista Oswaldo Cruz oferecia trinta réis por rato morto. Cariocas passaram a criar ratos.

Juro que não acredito, mas meu pai, que trabalhou na obra, contava que parte do campo da Ponte (desculpem-me, estádio da Ponte) foi erguida com tijolos “emprestados” da Escola de Cadetes.

Pregado no poste: “Enquanto isso, camelôs vendem Campinas”

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