Bosque da gente

O Bosque dos Jequitibás está abandonado de novo, acusa nosso “Correio Popular” de domingo. Só será digno se for privatizado, porque no Brasil, o Poder Público não tem competência para tomar conta nem de míseros 10 hectares de mata, nem matando. Ou então, seo dr. Hélio, esqueça da história dos dois patos que o Vicentão Torquato matou lá em Ladário, quando eram jovenzinhos, e entrega o bosque para ele.

Escrevi “entrega”? Não, prefeito, devolva. O Vicentão nasceu no Bosque e é filho da Mata Atlântica, assim como a vegetação do nosso parque, que tem tudo para ser o lugar mais charmoso de Campinas. Seo Toninho 13, pouco antes de ser morto a mando de algum interesseiro, chegou a definir a entrega do Bosque ao Vicentão, seduzido pela mais singela das receitas: “O Bosque é um local para ser amado”.

E olhe que de receita o Vicentão entende — que o digam os saudosos espectadores do Terra da Gente.

Sabe aquela onça embalsamada no Museu de História Natural? É o Nero, que cresceu tomando mamadeira nos braços do Vicentão. Estava tudo certo: nada de enfeites, penduricalhos, eco-chatos e seus modismos. Todos os dias, depois do “rush”, os ônibus circulares fariam uma viagem até o Bosque, levando pessoas idosas, com acompanhantes ou não, interessadas em passar o dia lá. A prefeitura os receberia com um café da manhã bem simples, auxiliares de enfermagem e pessoas habilitadas a tirar-lhes a pressão e medir o nível de açúcar no sangue. Depois? Vamos passear no bosque. Quem quiser arrumar alguma coisa que esteja fora de lugar pode. Só.

As folhas no chão não precisam nem devem ser varridas, pois também são da Mata Atlântica. Idosos que foram professores, por exemplo, poderiam até ajudar crianças a fazer a lição de casa. Marceneiros, ferreiros, carpinteiros e serralheiros aposentados adorariam fazer servicinhos leves ali, para passar o tempo e mostrar aos netos. Vai dizer que laboratórios de produtos veterinários não trocariam o cuidado com os animais pela oportunidade de mostrar como são bons os seus serviços? Nessa hora, o descuido com um bicho acaba com a reputação da empresa. Eles vão se esmerar por essa oportunidade. Que biólogo, zootecnista, zoólogo e médico veterinário em início de carreira não gostaria de fazer um estágio ali? Mas bem remunerados, porque essa vitrine é inigualável.

Um almoço leve, como manda a santa madre idade, a caminhada para fazer a digestão e antes de começar o rush, os ônibus os pegariam por lá de novo, para fazer seus “Caminhos da Roça”…

Pregado no poste: “O senhor ainda gosta de pato, prefeito?”

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