Bodas de fé

Quem teve a ventura de assistir diz que foi inesquecível. Há pouco, Campinas viveu um momento raro, uma lição de vida para todos nós, nestes tempos medíocres, em que a festa de aniversário da cadela de uma emergente é enaltecida como o “tchan” da temporada. Gentinha.

Dona Dejanir Diniz Nista e seo Orlando celebraram na nossa Catedral 50 anos de casados. Alguém pode perguntar: “E daí?”. Quando eles se uniram, a cerimônia foi sob as bençãos do monsehor Geraldo Azevedo. Nas bodas de prata, em 1974, a renovação dessa união também foi abençoada pelo mesmo sacerdote. Nas bodas de ouro, o padre Geraldo também estava lá, talvez tão orgulhoso dos resultados de sua fé na vida quanto os filhos, netos e amigos do seo Orlando e da dona Dejanir. E alguém ainda poderia sugerir: “Ponha o nome do padre no livro dos recordes.”.

Nada disso. O livro desse casal abençoado é outro, quase uma bíblia do cotidiano. Uma obra que pouca gente anda lendo e que todos deveriam conhecer, para aprender que ninguém está sozinho no mundo nem veio para a vida por acaso ou a passeio. Os capítulos que contam essa história têm outros títulos, mais importantes do que um desfile de números: Amor, Generosidade, Abnegação, Fé, Solidariedade… Um mais belo do que o outro.

Quando eles comemoraram 25 anos de vida juntos, mandaram um aviso aos convidados: nada de presentes. Quem foi contribuiu com roupas, calçados e mantimentos para o Educandário Eurípedes. Agora, para celebrar as bodas de ouro, os convidados foram convocados a ajudar o Centro Infantil Boldrini, comandado por uma mulher extraordinária que, como a dona Dejanir e seo Orlando Nista, ilumina esta cidade: a doutora Sílvia Brandalise.

Não. A lição de vida que eles transmitem todos os dias não é capa de revista nem aparece na televisão. Eles são grandes demais para merecer a brutal sensibilidade de quem só se preocupa em propagar o aniversário de uma cadela e a futilidade de sua dona. Deus não perde tempo em ver essas bobagens, mas viu a lição da dona Dejanir e do seo Orlando. E gostou.

Pregado no poste: “Ainda mora gente em Campinas”

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