“Bifa!”

Era só ouvir esse grito e a rua inteira saía correndo atrás. A ordem era cutucar o balão com vara de bambu até pegar fogo e ninguém levá-lo como troféu. Quem pegava o bicho intacto entrava para a história, como o legendário Sidnei Filhinho. Segurou um enorme, de umas vinte folhas, ainda com a mecha acesa, no alto de um paineira da Avenida Orosimbo Maia. Proeza. Todo mundo viu, ninguém bifou. Saiu aplaudido pela avenida, rumo à Delfino Cintra, onde morava.

Hoje, a mesma polícia que ajudou Sidnei descer da árvore o levaria preso, incurso no Artigo 42 da Lei de Crimes Ambientais, porque desde 1998 é proibido “fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano.” Soltar um balão pode “condenada à pena de detenção, de um a três anos, ou multa, ou ambas cumulativamente.”.

Viver hoje está tão perigoso que soltar balão faz de qualquer um criminoso. De fato, é um perigo.

O Geraldo Trinca se lembra de aventuras vividas pouco antes da lei. Conte Trinca:

“Na Vila Joaquim Inácio, ao lado do Cemitério da Saudade, nos idos de 1994, existia a Equipe Naja, composta pelo Amarelo, Cuca, Nei, Véio, Rodrigo, Juninho, Portella, Zóinho, Ritchie, Ticão, Joãozinho e outros que, por motivos óbvios, não dão o nome completo. O que a equipe fazia? Soltava balões! De 28 a 30 metros de altura, com 14 folhas (montados na casa do Véio), cangalha de 80 quilos com rojões de 80 dúzias, de três tiros cada, mais bomba de caíra, com buscapé e sinalizador. A bucha era de estopim e parafina. Eram soltos no antigo prédio do ‘Diário do Povo’ (Anhanguera com Santos Dumont), na Vila IAPI, na Via Norte, no Jambeiro e no São Fernando.

Levavam faixas com parabéns pelo aniversário de alguém do grupo, nomes de namoradas, datas comemorativas… Tudo entre dez da noite e seis da manhã. Chevettes, Monzas, Caravans e a camionete do Portella formavam o “esquadrão resgate”. Rodrigo tinha o binóculo e o “Véio do Tempo” previa para onde o vento levava o balão.

Soltaram um em São Paulo, que passou por Campinas e os Naja seguiram até cair em Santo Antonio de Posse. Pegaram. A Inenda, arquirrival de São Paulo, soltou, perseguiu, mas não levou!

Glória foi o dia em que seguiram um balão até o Guarujá.”

Pregado no poste: “Depois falam de pescador…”

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