Bateu o sinal!

Na última vez em que estivemos reunidos com o doutor Telêmaco Paioli Melges, nosso inesquecível diretor no Colégio Culto à Ciência, ele nos revelou um segredo. Um segredo de mais de 30 anos. Foi na Fonte São Paulo, pouco antes de Deus chamá-lo para lecionar no Céu. Iniciávamos a campanha de recuperação do colégio e, como sempre cercado por todos nós, contou:

— Vocês se lembram de como ficavam bronqueados comigo e com os inspetores de alunos, porque nós trancávamos os portões de ferro do colégio, para ninguém sair da escola nos intervalos? Vocês sempre nos perguntavam o motivo de tamanho “autoritarismo” e nós não podíamos responder. Tudo para não aguçar a curiosidade e proteger vocês. É que já naquele tempo, maconheiros e traficantes de outras porcarias rondavam nossa escola, para assediá-los e levá-los ao vício e à morte. Agora, que felizmente vejo todos aqui, adultos, bem-sucedidos na vida, gozando saúde e com juízo, pude, finalmente, contar por que tanto rigor em protegê-los.

Acho que naquele fim de tarde, ecoou o maior coro de “muito obrigado” da história da Fonte São Paulo. Devemos grande parte de nossa formação e caráter ao zelo com que ele, os professores, os inspetores de alunos e funcionários do “Culto à Ciência” nos tratavam. Eles gostavam de nós pra valer. Parecíamos a razão única da vida de cada um deles, tamanho o carinho e a atenção com que nos acompanhavam, desde quando lá chegamos, ainda de calças curtas, até sair, já de barba na cara.

Quem ainda não ouviu, o sinal está batendo de novo. Vamos todos, dia 3, voltar à Fonte São Paulo, para ajudar na execução do projeto de recuperação da nossa escola. É só ligar para a Zezé ou para a Márcia, no 255.4563 e 251.5117, e confirmar. Quando  o guerreiro João Tojal me ligou para falar da reunião, levei um choque. Foi obrigado a contar, muito constrangido, que entre as realizações necessárias da “Sociedade Amigos do Culto à Ciência” está a construção de um posto policial, “com viatura e tudo!”, para proteger os alunos da violência e do assédio de traficantes.

A nossa Adriana Miranda relatou essa triste realidade aqui no “Correio”. Trágica coincidência: na manhã do mesmo dia, alunos viram um traficante pular o muro do colégio. Perseguido por policiais militares, foi preso na Rua Delfino Cintra. Fosse naquele tempo, esse tumor em forma de gente teria morrido na hora, de vergonha, diante da bronca da dona Gladis, nossa insuperável inspetora de alunos.

Quando estudávamos lá, o “Culto à Ciência” era autônomo. O governo não dava palpite (para não estragar) nem no currículo. Agora, vamos recuperá-lo sem a interferência (por favor!) do governo e de seus políticos. Nenhum deles é digno, sequer, de mencionar o nome da nossa escola. Não sabem nem o que quer dizer escola. A ausência de todos eles será sempre muito bem-vinda. Dona Gladis, querida, por favor, vá a esse encontro. E se algum governante ou político aparecer, a senhora já sabe, né? Contamos com a sua proteção, como nos bons tempos. Um beijo.

Pregado no poste: “Sem políticos, tudo se faz melhor”

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